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Viagens, opiniões e afins

by Andre Fonseca


Documentar é preciso e faz bem

Esses dias li um e-mail numa lista de discussão que participo onde a pessoa perguntava como ela deveria fazer para documentar um projeto que ele desenvolveu sozinho. Ainda segundo ele, a ideia é de permitir que num futuro próximo um novo desenvolvedor possa trabalhar no sistema sem traumas e com uma curva de aprendizado rápida.

Antes de tentar responder a pergunta, acredito seja necessário entender a diferença entre análise e documentação.  Muitas pessoas que trabalham com  criação de softwares, acabam confundindo documentar com analisar.  Essa dúvida é normal pois muitas “ferramentas” e “métodos” também se apresentam como opção de documentação, ou o contrário : coisas que deveriam ser usadas para documentar são usadas para fazer análise ( e até acabam com uma má fama sem terem culpa disso – puro mal uso). Um exemplo disso, no meu ponto de vista, é o uml : Muitos usam a UML com o propósito de analisar e modelar. Ela até foi criada com esse intuito pois, quando foi concebida  era bastante custoso codificar e alterar o código feito (lembre-se dos cartões perfurados, cobols da vida, etc) mas hoje isso já não é válido (com linguagens modernas, codificar é rápido e alterá-lo mais ainda). Voltando, UML, no meu ponto de vista, é muito mais documentativa do que modelagem.  Seus diagramas tem um ótimo apelo de representar graficamente um sistema e como diz um ditado: “Uma imagem vale por mil palavras”.

Um outro mito a ser desfeito, insisto, no meu ponto de vista, é de que documentar não agrega valor. Por mais que ninguém diga isso, por mais que ninguém escreva isso, por mais que ninguém assuma isso, muitos de nós considera o ato de documentar como uma atividade secundária, e com isso, delegamos para que outros façam ou, em piores casos, nem o fazemos. A questão que ninguém escreve um sistema para si e, na maioria dos casos, não fazemos isso sozinhos.  Outro ponto é que, possivelmente, não ficaremos para o resto de nossa vidas com aquele projeto, passaremos para outros desafios e aquele sistema deverá ser cuidado por outro pessoa que não necessariamente participou da equipe que o desenvolveu. Tal fato, implica em ter que forma esse pessoa de forma que ela possa dar continuidade ao aplicativo sem comprometer a qualidade dele (estou assumindo que seja aqueles projetos onde temos testes automatizados, linguagens bem expressivas, etc). Logo, tendo todo esse contexto em mente, fica fácil mostrar que documentar, no mínimo, é evitar dores de cabeça futuras.

Mas, enfim, como documentar?

A pergunta poderia ser redigida da seguinte forma para ter mais sentido para nós : Como podemos documentar sem que isso seja uma atividade secundária e agregue mais valor ao sistema? .  A maioria das linguagens modernas oferecem recursos, bastante interessantes, que podem responder essas perguntas. Em Java, nós temos o recurso básico do JavaDoc (comentários em formato especiais que são colocados no código fonte. Depois, através de ferramenta exportamos para um html), em .NET (csharp) temos algo parecido, e por ai segue. Embora isso já seja algo que ajude, considero insuficiente como documentação pois, quem irá ler não terá uma visão do funcionamento ou do comportamento do sistema.

Nesse contexto de comportamento e funcionamento que entram a ajuda primordial dos teste automatizados. Um efeito secundário dos testes automatizados (tanto os teste unitários quando os testes de comportamento) é de, se bem escritos e de grande abrangência,  eles acabam sendo uma boa fonte de consulta para o entendimento da aplicação.  Existe, inclusive, frameworks de teste de comportamento (Behavior Tests) que permitem que se escrevam de forma literal facilitando ainda mais o seu uso como documentação, como por exemplo o Cucumber (Ruby), Pyccuracy ( espero ter escrito certo – Python), etc.

Por fim, eu pessoalmente, acredito que um bom diário de bordo também ajuda bastante. Um diário de bordo, consiste, em algo parecido com um blog ( pode até ser um blog), em que vou escrevendo o dia a dia do desenvolvimento tentando retratar as decisões não técnicas e situações vencidas pela equipe de forma que a pessoa que irá trabalhar com o sistema no futuro tenha também uma visão do por que de certas escolhas, do sentimento da equipe naquele momento, etc.

Published by Andre, on setembro 26th, 2009 at 11:02 am. Filled under: agil,codigo,Informática,TDD Tags: , , , , , 2 Comments