
Conversando que a gente se entende
Um dos grandes problemas atuais de TI que encontro é a questão da comunicação. Quando esta falha, tudo falha… mesmo se as outras partes envolvidas estejam “bem feitas”. Sem comunicação, não existe um troca eficiente, a interação entre os membros se perde, há desinformação, entre outros efeitos… sem comunicação não existe possibilidade de time, existe apenas um amontoado de gente trabalhando num mesmo projeto ou atividade.
Antes de mais nada, gostaria de dizer que, quando falo em comunicação, estou tratando em seu significado mais amplo : comunicação são as conversas, os emails, os quadros de aviso, as reuniões, os post it na parede… Enfim, ela é tudo que visa a troca de conhecimento ou ideias e informações. Ao dar bom dia a uma pessoa que trabalha com você, você está se comunicando; ao enviar um mensagem via mensageiros instantâneos (gtalk, msn, yahoo, etc) você está se comunicando. Muito apenas consideram a parte formal da comunicação e esquecem que a parte informal é de suma importância. Se este “bom dia” não acontece, você como líder, pode estar em apuros.
Do pouco que já rodei por aí, já presenciei e participei de diversas situações onde uma comunicação falha, acabou com toda a equipe. Um dos casos que gosto de citar é de uma empresa onde trabalhei que, o pessoal não tinha uma boa interação e as raras vezes que essa acontecia era para “sacanear”alguém. Isso gerou um desconforto tamanho na equipe, que aos poucos, as pessoas que eram o alvo das brincadeiras ou que não se sentiam confortável com aquilo foram ficando insatisfeitas. Resultado: projeto ruim, projetos atrasados, etc. Antes que alguém pergunte: “Será possível que um problema pessoal interfira tanto no resultado? Cade o profissionalismo ?”. Não pode esquecer que somos seres humanos e não vulcanos ( momento start trek) … Nossas emoções influenciam diretamente nosso desempenho, ainda mais a nós que somos latinos.

pessoas não conversam
Continuando a história… a comunicação que a principio não tinha nenhuma relação com o desenvolvimento em si, estava causando muitos problemas. Infelizmente não houve solução, as pessoas saíram, e a equipe dissolveu-se.
Bem , se algo que não tem ligação com o dia a dia de projeto já causou um estrago como na história acima, imagine quando falamos de comunicação que fala exatamente do projeto? Se ela for mal feita, o projeto corre sério risco de não dar certo.
Outra história que conto, é de um ex chefe meu que tinha a mania de não expor com clareza o que ele queria, nem explicar de forma clara os requisitos das funcionalidades que eram para ser feitas. Nas muitas vezes que discuti com ele, exatamente por causa disso, sempre repetia uma frase: “Ainda não sei ler mente, mas quem sabe com o tempo”. Um requisito mal explicado é pior ou igual pior que um requisito não dito. Não foram poucas as vezes que o pessoal da equipe acabou implementando funcionalidades incoerentes com o desejado pelo cliente; foi obrigada a refazer tudo por não estar de acordo “como deveria ser” (como se soubessémos por leitura de mente); e por essa estrada o dia a dia seguia.
Mas os problemas não estão somente na parte verbal da comunicação. Acredito, na minha pouca experiência, na maioria dos casos os grandes problemas estão nas outras comunicações que acabam esquecidas. Com a moda de adoção de metodologias ágeis, a questão da comunicação ganhou uma certa importância, mas maior parte dos casos que vejo e ouço de meus amigos, há uma preocupação com a interação verbal, mas esquecem das não verbais (avisos, emails, alertas, etc) . Pode parecer até uma contrasenso em nossa era, mas parece que estamos cada vez mais nos comunicando pior! Documentos mais escritos, pouco domínio da lingua, entre outras coisas, dão margem para interpretações equivocadas e com isso perda de tempo por parte do time com implementações incorretas, por exemplo.

afogado em post its
Não sou a favor de um revisor de português para cada empresa, mas sou sinceramente a favor de pessoas que usem bem o meio de comunicação delas. Não adianta querer escrever um livro para explicar algo por email, nem um frase. Tem que se dosar, e procura tirar o melhor de cada. Além disso, essa comunicação não verbal, tem que ser intuitiva, leve, fluidica e permitir uma interação entre a mensagem e o espectador. Gramática correta, ortografica correta, coerencia e coesão, sintaxe … tudo isso facilita a leitura e deixa a coisa direta e clara. Canso de ver aberrações em emails de pessoas de cargos de relevancia que no final acabam indo para lixeiras contendo um aviso importante por erros de escrita grosseiros ( erros de uso de “mim”, “amostrar” ao invés de mostrar, falta de pontuação, estrangerismo em excesso – os jobs file executam em multthreading com forks de flocks vibration poles – e por ai vai ). Fazer o simples, escrever simples, “famoso feijão com arroz”, funciona na maioria dos casos.
Por isso que quadros de post its podem ser excelentes ferramentas, mas cuidado para não abusar da coisa. Ter a preocupação de pensar nas cores, letras, tamanho de fonte, são coisa extremamentes válidas e garante um bom retorno no objetivo de comunicar, porém isso sempre fica num segundo plano e na maioria dos casos ignorado.
Bem amigos, enquanto não tivermos evoluído o suficiente para termos telepatia e ler mentes, ou algo parecido, vamos depender, e muito, da comunicação. Por isso trate-a com carinho em seus projetos e dedique um tempo para trabalhá-la de forma a ser a melhor coisa o possível e verá que os ganhos vão pagar cada sacrificio feito nesse sentido.