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Será que o sistema Toyota é falho?

fevereiro 12th, 2010

Acontecimentos recentes no mercado de automóveis, de uma forma surpreendente, tem colocado em xeque o modelo da Toyota que ficou famoso se tornou  uma referência em gestão e processos na última década.  O pessoal que tem lido jornal tem visto esses dias várias notícias informando a enorme quantidade de recall que a fábrica toyota e suas afiliadas estão fazendo no Japão e no mundo, decorrente de erros nos seus processo de fabricação,  laudos fradulentos de segurança, etc.  Tudo isso colocou em dúvida a verdadeira eficiência do modelo que se tornou a nova moda dos hippies da administração e processos do mundo.

No início do século XX  o mundo vivia sua revolução industrial impulsionado pela novo modelo Ford de produção em escala.  Em detrimento ao maneiro artesanal e caseira da fazer as coisas que tornavam os produtos “incrivelmente caros”, agora tudo é feito em grande quantidade e de forma seriada. Surge as fábricas.   Esse modelo ultrapassa o contexto industrial e começa a permear todo o comportamento social:  convívios, formas de negócio,  gestão e administração, etc.  Tudo agora deve ser grande; gigante… Não existe espaço mais para pequenos atos.  Empresa familiares dão lugar para grandes corporações, pequenos negócios de esquina agora fazem parte de cadeias de lojas e por aí seguimos.

Com a vinda da segunda guerra mundial, em nome do esforço de guerra, esse modelo de grande escala ganha mais força: tudo deve ser feito aos milhões.  Pequenos defeitos e erros de cálculos são tolerados pois, estatisticamente, representam uma porcentagem infinitesimal frente ao todo.  Porém do outro lado do mundo, ao final do conflito, existia um Japão arrasado, sem homens, sem recursos naturais abundantes, sem espaço, destruído por duas bombas nucleares.  Nesse país um sonhador  vindo de uma família de empreendedores tenta construir um futuro. Assim nasce a Toyota.

A Toyota, (diversas fontes dizem que ela foi fundada em 1937, porém acredito que a sombra da empresa que conhecemos hoje começou no pós-guerra)  ao contrário da Ford (a grande Ford com suas imensas indústrias no USA)  estava num contexto de escassez. Tudo faltava.  Não havia aço, não havia homens, faltava tudo… Não existia espaço para desperdício. Não havia margens para erro.  Usando toda a herança cultural japonesa de perfeição,  a Toyota criou todo um universo de processos visando a redução e até a eliminação total de todo e qualquer processo ou coisa que não gerasse valor para o cliente final dela.

Nos anos que seguiram esse conjunto de boas práticas e regras se mostrou extremamente vencedor e hoje a Toyota é maior fabricante de carros do mundo superando  de longe qualquer outra.  Hoje eles são os melhores, a referência,  a meta a atingir.

Assim como o modelo Ford, nos seus áureos tempos, ultrapassou os limites  das fábricas para fazer parte de tudo na cotidiano das pessoas, o modelo toyota também achou seu caminho em outras áreas como administração, gestão de projetos, desenvolvimento, etc.  Da década de 80 a até atuais dias passou a ser o hippie do momento, o novo frisson dos intelectuais e vanguardistas do mercado.  Não tardou para que a “forma Toyota” de fazer as coisas fosse traduzida para outras realidades. Principalmente em desenvolvimento de softwares que até esse momento era predominantemente  do jeito Ford com conceito de fábricas de software e encadeamento de atividades (o famigerado cascata – waterfall).

Logo nosso dia a dia de desenvolvedores e gestores de projetos deixou de ser sopas de letrinhas como PMI, CMM, RUP, UML , etc para ser JIT (Just in Time – o justo na hora certa),  KANBAN,  cadeia de valores, etc.

Entretanto, nos últimos anos, notícias de que a Toyota estaria fazendo recalls se tornaram frequentes nos jornais do mundo. Recall é o processo que a empresa chamada todos os usuários (compradores) de um determinado produto a o levarem de volta para consertar algo que possua um defeito de fabricação oriundo de erros de projeto, processo, etc.   por mais transparente e honesto que seja o processo, ele sempre acaba manchando a reputação da empresa… Isso só fica pior quando falamos de uma empresa que “vende” que tudo que faz é perfeito (isso também vem da própria cultura japonesa).  Tais fatos sairam do ambito da economia para entrarem no ambito da gestão, pois  muito se vendeu nos últimos tempos que o processo Ford não funciona e que a salvação era o Sistema Toyota.

Seguidores  estão em panico pois tais fatos colocam em xeque seu grande salvador.  Mas será que realmente que esses acontecimentos são o sinal que esse processo não é tão bom quanto pensávamos? Será que devemos procurar um novo jeito? Será que devemos voltar ao que “funcionava” antes? E agora quem poderá nos ajudar?

Confesso que gostaria de ter essa resposta mas acho que somente o tempo dirá, embora, acredite numa máxima de Buda : ” o caminho sempre será o equilíbrio” . Possívelmente esse seja um processo pelo qual o mercado precise passar para deixar de criar “balas de prata” e passe a usar a inteligencia de seus profissionais para resolver cada problema.  Não existe solução única. Existe é inteligência, criatividade e vontade de evoluir.

Agora tais problemas também podem ser  culpa de um processo mal gerido de crescimento onde os atuais administradores da empresa esteja rompendo com as bases culturais que nortearam a empresa até hoje.  Eu vi um processo semelhante a esse acontecer dentro da michelin com a morte dos herdeiros naturais da empresa.  Por isso, mais uma vez a cautela e prudência são as melhores amigas nesse momento ao analisar os fatos.

Penso que é preciso olhar com a mente aberta aos fatos e se permitir questionar. Fé cega a gente deixa para as religiões.

Digerindo os acontecimentos em Ti

setembro 6th, 2009

Muita coisa aconteceu nestes últimos dias, principalmente dentro do nosso “mundo” de TI. Por, gostaria de fazer um apanhado de algumas notícias e acontecimentos. A intenção aqui não é fazer um trabalho jornalística, até porque me falta muito para tanto. Apenas quero pontuar fatos que considero (ou considerei) importantes, do meu ponto de vista, neste período que passou e colocar minha visão ( e também opinião) sobre eles.

Regulamentação da profissão de analista

… foi aprovado pela comissão de constituição e justiça do Senado, o projeto de Lei do Sen. Expedito Jr, sobre a regulamentação da profissão de analista de sistema… Seu texto inclui restrições do exercício de diversas atividades e responsabilização através de entidades de classe…

Considero tal assunto mais que esgotado. Não foram poucos que escreveram sobre o tema. Muitos, jornalistas, profissionais de renome e reconhecidos de Ti, políticos, etc já pautaram todos os prós e contra de tal projeto de lei ( Para os desatualizados, leiam o site do IDGNow – por exemplo – e façam uma busca no google que verão a quantidade de material que foi publicado sobre isso).

Serei breve: Regulamentar o uso – qualquer que ele seja – da informática é absurdo. Podem dar quantas razões quiserem mas minha visão é simples e repito, considero um absurdo. Sempre considerei a informática, assim como a matemática, português, jornalismo, filosofia, etc, como ciências de meio. “Ciência de Meio” é aquela que serve como caminho ou ferramenta para a busca de um objetivo mais prática ou mais aplicado do ponto de vista do quotidiano.

Dizer que apenas profissionais formados e certos cursos superior podem exercer dada atividade ligada a uma ciência meio é absurdo. Sendo assim, fazê-lo em TI é o mesmo que querer restringir somente a formados em matemática a capacidade de escrever uma equação, resolver um problema, fazer cálculos; seria o mesmo que pedir que não escrevamos mais pois somente formados em português que poderão redigir daqui para frente… Podem pensar que exagero nas tintas, mas não. É exatamente isso.

A informática e seus softwares, por exemplo, são ferramentas que engenheiro, médicos, matemáticos, físicos, psicólogos, jornalistas, arquitetos, deputados e senadores, usam como meio de facilitar ou possibilitar algo.  Restringir é nos remeter a uma era de escuridão onde medíocres reinam por terem um pedaço de papel mas nada de competência.

Fora, como tempero a questão, que o autor da lei não é do ramo ( é dono de empresa de segurança), foi cassado e tem sua moral questionável.

Uso da internet em campanhas eleitorais

Bom sobre esse assunto pretendo falar pouco pois não me sinto capacitado para emitir uma opinião consistente do ponto de vista de conhecimento de legislação, controle, etc.  Por isso, vou tentar refletir algumas idéias que li de pessoas que vivem nesse meio da política (políticos, jornalistas, colunistas, etc)

A maioria dessas colunas que li foram categóricos em afirmar que o projeto de lei está errado e pouco reflete a realidade. Hoje, com o poder da WEB 2.0, é insanidade ignorar a existência da internet e seus efeitos dentro de uma campanha. Vários marketeiros políticos americanos foram taxativos ao dizer que Obama ganhou para presidente pelo seu uso inteligência de todo ferramental da web (blogs, twitter, e-mails, etc).

Outro aspecto da internet é seu comportamento anárquico e desprovido de facilidades de controle.  Por isso, querer controlar a propaganda de eleição na internet da mesma forma que fazem com televisão e jornais impressos é burrice. Existe muita expontaneadade na web. Eu posso criar um blog para falar mal de um candidato e não tenho nenhuma relação com os demais. E por ai segue…

Nossos deputados e senadores mais uma vez dão um espetáculo de incompetência e distanciamento da realidade. Graças a Deus que pelo menos um deles resolver adicionar uma emenda dizendo que não dá para controlar a internet e que devemos deixá-la do jeito que é hoje: livre. (salve para Mercadantes)

Jornalista Sara Lacy do TechCrunch dá pity e leva troca da galera do Brasil

Meus amigos, o post dessa maluca foi um alvoroço total.  Para os mais desinformados,  esta pequena menina, é jornalista do TechCrunch. A questão que ela anda fazendo pesquisa da WEB 2.0 e de empresas que se tornaram gigantes por causa dela. Ela pretendia vir ao Brasil para conhecer algumas startups (como chamam empresas recem criadas para gerir produtos exclusivamente de web).

Bem, segundo ela, a embaixada Brasileira, informou que entregaria o visto num dia e acabou atrasando. Todos nós sabemos que o Brasil não é modelo de organização e que, sim, somos uma bagunça. A jornalista tinha total direito de reclamar e dizer que precisamos aprender… Mas ela acabou perdendo a mão a falando besteira : começou colocando em seu post um edição da bandeira do Brasil, ofendendo nosso simbolo máximo. Se fizessemos mesmo com a bandeira dos EUA daria muito barulho.

A questão que ela falou, num momento de nervosismo, falou besteira e ofendeu aos brasileiros[após conversa com amigos e releitura vi que eu interpretei mal e forma erronea. Fail para o meu inglês]… e o pessoal não perdoou… teve até comentário dizendo que escarraria nela, outro dizendo que a mataria, outro dizendo que a violentaria, puxa….. Que brasileiros brabos esses :D .

A minha opinião é simples : Itamaraty (orgão de gestão de politica internacional) manda uma cartinha para essa Sara dizendo que tudo [O Itamaraty tem coisa mais sérias e a atitude da jornalista não é para tanto - excesso meus a parte]. Outra, arruma a bagunça que vocês são : um visto para a França levou 3 dias para dar entrada e sair. No Brasil são 3 meses no minimo e isso com tudo certinho e com ajuda.  Chega de zé ruela estrangeiro se achar no direito de falar oque acha e se sentir superior. Pessoal, sou a favor de boicote a ela e ao site. [outro excesso de  minha parte. Ela reclamou, mas não precisa tanto]

Vamos as boas notícias : Mercado de TI da sinais de reaquecimento e o calendário de eventos tá recheiado para o segundo semestre.

… Empresas de informática afirmam que até o fim do ano o crescimento e volume de negócios deve atingir o patamar antes da crise … Empresas voltam a contratar profissionais e a demanda por projetos de informática cresce… Brasil se mostra um seleiro de talentos em TI…

E com muito orgulho que vejo matérias com textos parecidos com as citações acima.  Graças a garra de todos envolvidos com TI nesse país, o Brasil tem assumido uma posição de cada vez mais destaque no cenário mundial. Diversos profissionais brasileiros já fazem parte de grandes e renomadas empresas no mundo inteiro (salve Alexandre Martins,Philippe Calçado, Eduardo, Carlos Villela etc) .

Uma outra coisa é que o mercado tem visto o investimento em TI como uma porta de saída viável para uma situação saudável (no ponto de vista financeiro). Além disso, também a questão do movimento estratégico, etc.

O que retenho de tudo isso é que as coisas devem melhorar e por um bom tempo ainda teremos um ambiente favorável e de muitos projetos.

Rails Summit, Dev inRio, Forum de Tecnologia, Rio info, etc…. O calendário de eventos em TI e correlatos está bombando nesse segundo semestre

Este ano tem sido incrível em termos de congressos e eventos. Confesso que em parte, esse dislumbramento todo é que a tempos andava longe das coisas e agora estou voltando a me envolver. Com isso, a quantidade de eventos que tenho tido acesso (convites, e-mails, etc) é enorme.  Isso só reforça que a questão da TI está com força total.

Arrisco dizer que é bem provável que 2010 as coisas sejam muito melhores.  Gosto muito disso !