Processo por processo não resolve. Aceite e mude.
A gente sabe quando está mais consciente de algo quando é capaz de ver as falhas dele. Hoje está na moda dizer que é ágil ou que sua empresa usa algum “método ágil”. E por aí segue as diversas sopas de letrinhas e nomes pomposos. A pouco tempo atrás a tábua de salvação era o Scrum que agora já é “jogado a fogueira” pelos seus antigos defensores e em seu lugar ouço muito de Kanban, lean, etc. Eu pessoalmente não gosto de modas, prefiro seguir aquilo que me facilite a vida e torne-me mais produtivo, feliz, etc.
Antes de mais nada, deixem eu dizer qual é o significa, para mim, de ser ágil: Pelo dicionário, ser ágil é alguém que se move com facilidade e preteza; para mim ser ágil é ser rápido e resiliente as mudanças; é ir além de aceitar as mudanças… é entender que ela é uma característica da vida. Quando falamos de TI isso fica mais focado ainda na questão de ser rápido. Gosto de usar a figura de barcos: ser ágil é ser como um pequeno veleiro que pode mudar de direção facilmente.
Frente a isso fica mais fácil entender o que vou dizer a seguir: acredito que nem 1% das empresas que dizem ser ágeis se encaixam na “minha definição”. Penso, sinceramente, que elas apenas trocaram de nomes, no fim é exatamente as mesmas coisas só que trocaram suas roupas. Antes eram cronogramas, agora são cartões com bluetaks pelas paredes, burns downs e quadro brancos. Antes tinhamos gerentes, agora temos os Scrum Masters.
Uma outra coisa que considero ruim é que as pessoas não conseguem entender que devemos fazer aquilo que nos torna mais feliz e produtivos. Se controle em cascata deixa a nossa equipe mais produtiva será isso que irei usar. Simples assim. Seguir os processos ips letri é bom quando a gente não está acostumado e ainda não está maduro nele. Entretanto, depois de certo tempo seguir o processo e fazer as coisas só por que dizem que deve ser feito não é nada inteligente.
Uma vez ouvi uma história dos macacos que são colocados numa jaula. Cada vez que algum deles tentava pegar uma banana, todos tomavam uma descarga elétrica. Assim, com o tempo, foram trocando os macacos um a um. Eles desenvolveram um comportamento interessante de bater naquele que tentasse acessar a banana para evitar os choques. Mesmo tempos depois tendo desligado os choques, os novos habitantes da gaiola batiam naquele que tentava acessar as bananas reproduzindo o comportamente sem nem mais saber porque.
Isso acontece o tempo todo em nosso meio. As pessoas fazem daily meetings e nem sabem mais porque… fazem por que tem que ser assim e ponto final. Cara se na sua equipe já existe a comunicação o daily pode ser uma grande perda de tempo. Pense nisso. Reviews e retrospectivas também podem ser perdas de tempo. O próprio XP diz que é interessante que os conflitos sejam resolvidos o quanto antes e que a comunicação deve ser permanete e fluída. Assim ter uma reunião para conversar, para mim, por si só é um contra senso.
Ultimamente, o meu time tem usado algo que se assemelha mais ao kanban: kanban é a ferramente visual e não o processo. O processo é algo mais Lean – tentamos sempre manter o fluxo de entregas de forma constante e sem interrupções. Procuramos sempre o que é melhor para nossa produtividade. Eliminar desperdícios mesmo que isso seja parte do próprio processo como se diz no livro. Inteligência é usar algo e adaptá-lo a sua necessidades. Seguir processos sem questioná-los é escolher não evoluir e correr o risco de acertar.
Colar post it na parede não diz que você é ágil. Ser ágil, para mim, é ser adaptativo. Mudar e procurar sempre o gradiente máximo. Toda vez que leio o manifesto ágil, vejo ali um pedido para sermos mais inteligentes e produtivos. Usar processos não é ser ágil.. trocar waterfall por scrum não vai magicamente fazer entregar mais. É algo mais perto da cultura que deve ser mexida.