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Viagens, opiniões e afins

by Andre Fonseca


algumas considerações sobre o mercado

A um tempo atrás uma empresa entrou em contato comigo para que eu os ajudassem num projeto deles. Para este projeto, dada a dificuldade deles em encontrar bons profissionais no mercado do rio de janeiro, eu teria a responsabilidade de montar a equipe ( recrutar e treinar – caso necessário) ,  gerir o desenvolvimento da ferramenta e ainda dar suporte posterior.  eu fiquei um bom tempo pensando na proposta e depois que as coisas não foram para frente me senti tentado a contar a história e aproveitar para passar algumas visões minhas.

A primeira coisa que me chamou muito a atenção na conversa que tive com o pessoal da empresa, foi o discurso deles de que não conseguiam contratar bons profissionais no rio de janeiro (inclusive eles iriam se mudar para outra cidade em função disso).  Eu discordo disso. Existem excelentes profissionais aqui, como em qualquer outro lugar. A questão é ver qual era o perfil que eles estavam buscando e a remuneração que ofereciam.  Uma coisa que aprendi com meu pai e com meu tio Luiz é que coisa boa é cara.  Pode parecer loucura ou até presunção da minha parte, mas concordo com isso.  Se quer um profissional que faça o “feijão com arroz” tem que estar disposto a pagar o “feijão com arroz”; agora se quer o melhor você tem que estar disposto a pagar pelo melhor.  Não estou dizendo que eles não pagavam bem até porque nunca soube os valores que eles pretendiam.  Outro ponto é o perfil: vem acontecendo uma transformação nos profissionais do rio que aos poucos vão fugindo do padrão e com isso, para que os não se atualizam e vivem com os olhos tapados, parece que não existem profissionais bons.  Os bons do Rio, estão fazendo coisas muito interessantes mas não usam terno, entendeu :D

Não adianta vir aqui e dizer que não tem cara bom se você quer obter os melhores buscando no refugo e pagando salário de estagiário. (Peguei pesado mas é isso mesmo) .

Outro aspecto da conversa com eles foi a visão ainda de fábrica de softwares deles. Confesso que na hora que ouvi isso levei um susto. FÁBRICA DE SOFTWARE !!!  Isso não.   Não sei quanto a vocês, mas não consigo mais me ver ou compreender a razão para um modelo de fabrica de software.  Eu realmente acredito no poder dos times. No poder dos pequenos e coesos times.  Essa coisa de quebrar em etapas, e um escreve a primeira letra e outro coloca o ponto e vírgula,  já foi ! Todos devem fazer tudo e mexer em tudo. Nada de especialista de porcas, especialistas de parafusos, etc.

Não consigo mais ver vantagem na multidão.  Hoje, se fosse montar uma equipe, e tivesse o recurso necessário, montaria uma equipe pequena, com bons skills e super coesa.  Não estou dizendo que só escolheria gênios. Muito pelo contrário, escolheria pela afinidade,  pela vontade de fazer algo melhor, pela disposição, e outros fatores afins.  E faria de tudo para a equipe se manter do mesmo jeito e pequena. Nada de crescimento.  Com certeza a comunicação iria fluir muito bem; os projetos iriam sair com qualidade;  tudo iria funcionar como um “relógio” não porque existem gênios mas porque o time é unido, coeso e a famosa história do conjunto ser melhor que a soma dos indivíduos.

Por fim quero deixar algumas conclusões:  [1] Existem bons profissionais em qualquer lugar. Pode ser que esteja procurando errado.  Realinhe seu foco, procure entender o mercado e retome as buscas; [2] Para se ter o melhor, você tem que estar disposto a dar o melhor – isso implica é muito mais coisa que salário; [3] Times pequenos são melhores que multidões. A força está no entrosamento. é muito mais difícil obter coesão de conjuntos enormes.  Se o projeto é grande, quebre-o em muitos pequenos times independentes e verá que será melhor.  [4] É preciso acompanhar as mudanças do mercado até mesmo para contratar.  Os perfis são outros e com isso as empresas tem que se adaptar.

Bem é isso. Aguardo o comentário de vocês. Até o próximo !!!

Published by Andre, on janeiro 12th, 2010 at 1:12 am. Filled under: atualidades Tags: , , , 5 Comments