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O bom, o feio e o mal em desenvolvimento – parte 2 – revisores e arquitetos?

janeiro 14th, 2010

E dando seguimento a serie sobre algumas coisas interessantes sobre o desenvolvimento, vamos para mais um novo capítulo.  [OFF] São tantas histórias vou acabar escrevendo um romance [/OFF].   Após a repercussão do primeiro artigo de mesmo nome, alguns conhecidos me procuraram para dizer que, existiam outras situações que poderia abordar dentro da série.  Uma dessas situações foi sobre estruturas de equipes de desenvolvimento e  com isso, acabei  me lembrando de uma época,  numa dada empresa, em que tínhamos a figura do revisor de códigos. É isso mesmo que você leu, meu amigo …revisor de código.

O revisor de código é o cara que após você ter implementado toda  a solução, antes de você colocar as sua alterações no CVS  (meu deus, antigo), ele vem e verifica se o seu código está bom, onde bom, significa dentro de um padrão que não está em lugar que não na cabeça dele.  Antes que me apedrejem em praça pública,  sei que nem todos são assim, e que em muitos tinha ou tem, regras de estilo bem claras e até automatizadas através de plugins em suas IDEs.

Revisar o código não é uma atividade ruim. Ter premissas de estilo e formatação é algo interessante pois padroniza e pode facilitar qualquer pessoa, que esteja acostumado com os padrões da empresa, ler o fonte e entender.  Essa preocupação, inclusive,  tem sido tema de discussões muito atuais e serve até de argumento para definir o uso ou não de linguagens ( sendo mais específico, são questões como expressividade, legibilidade, etc – suggar sintaxe) . A questão que eu coloco é isso passar o limite do bom senso e do razoável e se tornar uma ditadura sem direito de questionamento.

A própria situação de ter uma única pessoa responsável por zelar pela qualidade do código para mim já é algo péssimo.

Mas então? Qual é o melhor cenário?  O que pode ser feito, já que eu disse que qualidade e estilo são bons, se ter alguém revisando é péssimo?

Alguém aí, por acaso, disse … Programação em par!?!?!? Bingo!!!   Essa, no meu entender, é um bom caminho.  É bom, pois permite a troca, a interação. É bom, pois permite, que a responsabilidade seja de todos e não somente de uma única pessoa. Tira gargalos ( quem nunca ficou parada esperando o revisor ter tempo para ver e validar a implementação).  O time como um todo decide o que é melhor.

Nesse cenário as chances das coisas serem menos impostas e mais consenso são grandes. Não existe um ponto único e sim diversidade de visões.  O time fica aberto e sempre como abertura para melhorar ou experimentar, desde que todos concordem ou pelo menos seu par, que aquilo traz algum valor.

Observem – bem lembrado por um colega – que nem toquei no fato de revisão de tecnologia, arquitetura.  Na velhas e empoeiradas estruturas de fábrica,  tem casos em que além do revisor, tem ainda o grande e todo poderoso arquiteto que decide quais tabelas, quantas classes, como as classes são, qual linguagem, api, framework, qual papel higiênico, que  todos devem usar.  Para mim isso consegue ser pior que o revisor. Pois ele tolhe a inovação, o salto para frente.  não quero dizer com isso, que devemos fazer de nossos projetos um laboratório de novas linguagens e etc… estou dizendo que se existe algo que venha a facilitar porque não pelo menos olhar o que é …

Novamente transferir essa “responsabilidade ” para o time é a melhor coisa.  Pois se discute. Todos tem voz.  A chance de escolher algo interessante é maior… não fica a cargo de um louco que pode ser um tarado por novidades ou um louco que nunca deixará de usar Java 1.3.1 pois sempre funcionou e “não se mexe em time que está ganhando”.

Bem esse era meu recado… aguardo as opiniões de vocês.

Nem sempre um bom assunto garante uma boa apresentação

agosto 20th, 2009

O ato de apresentar é algo que parece que veio para ficar. Em quase todos momentos de nossas vidas profissionais nos é solicitada algum tipo apresentação por mais diversos motivos.  A questão, após a leitura do livro de Garr Reynolds – “Apresentação Zen” , que a maioria delas são de uma qualidade no minímo, para não falar pior, de qualidade questionável.

O tempo todo em nossos trabalhos somos solicitados a reportar algum status,  objetivo, mensagem, etc. Algumas dessas vezes podem ser simples  conversas, respostas as e-mails, ou então montarmos uma apresentação para uma platéia (pequena, média, grande ,etc). Muitas as pessoas que, inclusive, vivem de fazer palestras, etc.  Tais palestras,  podem ser  um congresso acadêmico onde mostra o resultado de um estudo ou pesquisa, um trabalho de faculdade, mba ou mestrado, pode ser um fechamento de um ciclo de trabalho, apresentação de uma auditorio ou consultoria feita, venda de um serviço ou produto, enfim, várias coisas. Logo, pelos exemplos citadas antes, podemos dizer que a grande maioria de quem faz apresentações não são especialistas em comunicação, ou design ou qualquer coisa correlata.

A grande parte de nossos palestrantes são pessoas comuns( administradores, engenheiros, vendedores, etc – pessoas sem grandes conhecimentos de ferramentas ou conceitos de design e/ou comunicação) e por isso, muita delas são levadas a não ter um grande cuidado com a forma que eles estão expondo a informação desejada. Bem, sobre um ponto de vista, existe preocupação sim: quase todos estudam o assunto, procuram boas fontes ou apoio de bons números ou gráficos, etc… o que não se tem é uma atenção a importancia do como essa quantidade de coisas será dispostas e apresentada.

Essa questão da falta de capricho (sei que não é o melhor termo mas não me ocorreu nenhum outro) de certa forma só agravou com o advento das  ferramentas como o Power Point – podemos dizer também slideware. Devido a motivos que ainda desconheço, essas ferramentas, fornecem um tal de Template, ou seja, um desenho padrão onde o trabalho do indivíduo fica sendo apenas de preencher as lacunas. Isso, para a grande maioria leiga não é de todo mal…  a questão que esses templates são todos baseados numa estrutura analítica que acaba tornando a apresentação, para o espectador, um verdadeiro desafio para contornar o sono que vem.

Outro dia, na empresa onde trabalho, fizeram um dia (inteiro) de palestras onde várias pessoas apresentaram diversos ppt (apresentações power point) sobre os mais variados temas. Acredito que o objetivo da jornada era de ser uma forma de vermos os objetivos do grupo, status dos projetos, como estavámos em relação as metas que foram traçadas no começo do ano, etc.  Mas, confesso, que no final, o evento foi um exercício de “luta contra o sono”.

StockVault Photo

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Mas porque que não gostei das apresentações ? Os temas não me interessavam? Os assuntos tratados não tinha relação com meu dia a dia na empresa ? Por mais que tudo que havia sido dito, apesar de todos os temas serem de grande importância,  as palestras foram um verdadeira pé no saco pois ninguém se preocupou em momento algum com forma dos malditos slides. Alguns, inclusive, tiveram a cara de pau de ler os slides, ou seja, não agregam valor nenhum.  Os conteúdos, em sua grande maioria, eram cópias de trechos de planilhas do excel, numa fonte ilegível do meio da sala, com números e mais números que não nos diziam nada; gráficos com uma quantidade enorme de linhas ou elementos que os tornavam, num primeiro relance, difícil de analisá-los ou captar suas informações; slides tomados de textos e mais textos, todos arrumados lindamente (estou sendo ironico) em bullets; etc.

StockVault

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Tudo isso poderia ter sido diferente, se tivessem tido o cuidado de, antes de qualquer coisa, conversado para definirem qual seria a mensagem a passar com o dia. Feito isso, como a mensagem mãe, na cabeça partir para selecionar os temas que deveriam ser abordados durante a jornado que ratificassem, ou que levassem a mensagem principal para os ouvintes.  De posse da mensagem e dos temas, partiria para definir o tom, a emoção desejada. Pode parecer loucura, num primeiro momento, mas faz sentido se analisarmos de mais perto.

Ao realizar um evento temos que nos preocupar, além dos temas, etc, com o conteúdo emocional. Conteúdo emocional seria algo como : é para mexer com o pessoal, é apenas para informar, é para motivar,  é para dar um esporro, e por ai vai.  Por mais que a mensagem seja a mesma, a escolha do tom modifica a dinamica dos fatos e o desenrolar de cada apresentação. Um aspecto que muda também é a forma da exposição oral:  vibrantes, concisa, sóbria, etc.

Tendo todos os elementos em mãos- tema, mensagem mãe e a tom emocional desejado – o próximo passo seria partir para a montagem dos slides. Sempre tendo em foco que ninguém consegue ler e ouvir ao mesmo tempo e ainda por cima reter boa parte da informação. ACho que uma boa dica é abusar das imagens e seus significados dentro do contexto. Gráfico… huumm.. desde que sejam pequenos e rápidos de serem entendidos…. Números …. poucos apenas para retradar algo que se fale… texto… evite-os ao máximo.

Esse conceito pode ser extrapolado para diversos outro tipos de materiais : post em blogs, relatórios,  monografias, e-mails, manuais, etc.  Claro que cada caso terá sua particularidade, por exemplo, não podemos querer escrever um relatório sem usar muitas palavras, mas podemos ter cuidado com os gráficos, com excesso de números, tabelas, etc.

Bom, boa parte dessas idéias não são minhas. Elas são conclusões que venho tirando de diversos materiais e livros que venho lendo como forma de melhorar a forma que divulgo conteúdo, apresentações e etc. Um em particular tem sido minha biblia : Apresentação Zen – Garr Reynolds ( citei lá cima já, mas é para reforçar)