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Viagens, opiniões e afins

by Andre Fonseca


Focos nas Pessoas

A muito tempo venho pensando em uma coisa: O que acontece quando mudamos nosso foco para a direção das pessoas? Se ao invés de focarmos em obter mais lucro, mais dinheiro, mais bens, melhores processos,  equipamentos mais rápidos, a gente simplesmente focasse na pessoa… na pessoa na forma do cliente, na pessoa e sua qualidade de vida, na pessoa que usará aquele novo equipamento, etc.

Existe um grupo de pessoas aqui no Rio, mais especificamente ligados a TI (desenvolvedores, designers, etc)  que proporam exatamente isso:  miraram no ser humano. Isso vem galgado no Small Acts (acesse o link e leia pois vale a pena).  Ao fazermos isso, centra nossas atenções nas pessoas, os resultados foram surpreendentes e nossas ações tem tido repercussões até inesperadas.  São eventos em que, por pura paixão, vamos e levamos toda a nossa “energia” (nenhum de nós ganha dinheiro palestrando, ou fazer qualquer outra coisa afim), são encontros que para muitos parecem organizados e ultra focados como grupos de usuários sendo que na verdade estamos ali para conviver, rever amigos, tomar um chopp e como bons nerds que somos acabamos por falar de tecnologia e similares.

E claro que por vez ou outra surgem boas iniciativas dentro desse encontros e elas, por sua vezes,  em alguns casos viram excelentes projetos e ficam famosas. Mais tudo isso acontece não porque se quer ficar rico ou famoso. Mas porque acreditamos sinceramente nas pessoas e queremos levar essas coisas, que consideramos legais, para as pessoas.

Pode soar para muitos como algo idealista e utópico. De certa forma, olhando friamente e tendo como base o “restante” da sociedade, realmente é.   Entretanto, quando estamos ali fazendo para nós não passa de diversão. Por muitas vezes, me pus “de fora” e fique observando: parecíamos crianças empolgadas.

Insisto que ainda parece um tanto utópico nesse nosso mundo consumista mas quando o foco deixa de ser o lucro, o processo, a empresa e passar ser as pessoas realmente coisas mágicas passam a acontecer. Isso eu falo e qualquer nível de relacionamento. Se pegarmos uma loja e fazermos com que a equipe foque na pessoa e não no dinheiro do cliente veremos vendas aumentar, satisfação do cliente, aumento da propaganda boca a boca, etc. Se pensarmos em ambientes de trabalho, quando temos gerentes “humanos”que focam na pessoas de seus funcionários e não os encara como recurso, todos produzem mais, ficam mais felizes, as coisa fluem sem atritos, etc.  Isso pode ser extrapolado, ouso dizer, para qualquer situação.

Claro que em TI isso não pode ser diferente e ao meu entender possui uma dimensão mais interessante. A maioria das pessoas que trabalham com TI são pessoas que gostam de máquinas. Sim…. elas gostam de máquinas: são seus celulares, seus computadores, seus gadgets, seus video games, e o que mais vier. Poucos são aqueles que gostam de convivência. Isso é algo que para o profissional de nossa área deve ser vencido. Quanto não são os gênios que simplesmente travam quando tem que estar dentro de uma equipe? Quantos problemas temos no desenvolvimento por problemas que nada tem relação com a tecnologia e sim com as relações pessoais da equipe? .

O foco nas pessoas faz que com isso tudo se inverta e verdadeiros progressos se façam. Ao focar na pessoa, os processos se humanizam e passam a levar em consideração essa dimensão. Com isso eles se tornam mais próximos da realidade. Mas factiveis. Softwares são feitos para seres humanos, em sua maioria. E por isso, em sua concepção devem ter o foco no ser humano e não da linguagem, na máquina, etc. Isso que chamamos de experiência do usuário e que vem sendo perseguido pelos grandes players do mercado.

Published by Andre, on agosto 24th, 2010 at 4:51 pm. Filled under: agil,atualidades,gestão,Informática Tags: , , No Comments

Sendo Sustentável em desenvolvimento de projetos

Muito sem tem dito, hoje, sobre a questão da gestão de projetos. Nisso, incluo a famosa atual discussão da aplicação de metodologias ágeis, que antes eram práticas aboninadas, frente aos sucessivos fracassos que as gestão waterfall (gestão de atividades em cascatas cuja a imagem mais forte são os gigantescos cronogramas em gráficos de Gantt). Embora exista, de uma certa forma, um guerra entre os padrões – ora um diz que é melhor por um motivo, ora outro diz que não é nada disso, ambos mostram casos de sucessos e erros dos outros e por ai vai – existe pontos bastante comuns  em seus discursos, como por exemplo: foco na satisfação do cliente, busca por altos rendimentos – produtos entregues mais rápido, com maior qualidade, etc.

Ninguém está errado em querer focar em agradar seu cliente, muito menos na busca por maximizar seus lucros ( vender mais e gastar menos para realizar, etc). A questão que gostaria de discutir é a mensagem vinculada que vem sendo dita por ambos que remete a querermos trabalhar sempre próximos de nossos limites (alta disponibilidade, entregas super rápidas, e outras coisas parecidas)

Não é errado quere maximizar os trabalhos. O problema está em sempre querer usar e fazer as coisas no limite ( para cima ou para baixo)

Outro dia  conversando com um amigo,falvamos da situação atual onde temos empresas onde tudo é maior, melhor, alto, etc. Empresa, que devido a uso de alguma metodologia “bala de prata” , as entregas são super rápidas,  projetos com alta tecnologias,  sistemas com as últimas novidades, e (ufa!) por ai seguem.  Tudo feito no limite, tudo é SUPER (quando digo limite falo do fato de todos terem desempenhos fora do comum). Se me permitem a brincadeira, é  verdadeiro local de trabalho de sobre humanos, pois trabalhar sempre no limite máximo é algo bem difícil para nós mortais. É como se tivéssemos “pessoas” correndo a velocidades de provas de 100m durante uma maratona. Para seres humanos comum é algo que dá para fazer nos primeiros 200m mas depois não dá… simplesmente não dá.  A gente acaba abrindo o bico”

Não seria nenhuma surpresa se numa empresa como esta surgissem pessoas tendo crises de estresse (com variações agudas como por exemplo sindrome do pânico), pessoas com saúde comprometida, um número razoável de pessoas acima do peso, pessoas fumantes, etc. Considerando que ainda não temos super -homens por aí, ao não ser nos filmes e novelas (ehehehehe), mais cedo ou mais tarde algo deve acontecer.

Alguns pensam que podem correr um maratona mantendo a velocidade de corredores de 100 m. Simplesmente não dá e acabam que não completam todo o percurso.

Existe um preceito budista, no qual eu acredito que é : ” O melhor caminho é o do meio” . Diz alguns historiadores que Buda ( na época o princípe Siddhartha Gautama ) em seu caminho para a iluminação começou tentando seguir pelo caminha dos homens santos hindus fazendo jejuns, e se submetendo a sofrimentos como forma de purificar.  Foi quando num dia de meditação percebeu que o caminho não estava no limite e sim no meio termo.  Não podemos deixar ir sem regra alguma mas também não podemos colocar todas as restrições. Devemos buscar o equilibrio para nos tornar sustentáveis na caminhada da iluminição.

Equilibrio

Equilibrio

Antes que comecem a dizer que estou ficando maluco e escrevendo coisas sem nexo algum, vamos traçar a correlação dos preceito budistas e trabalho.

Me assusta um pouco o fato de que atualmente, muitos tentem vender o uso de metodologias ágeis como um forma de aumentar o rendimento da empresa. Isso, num primeiro momento pode soar até inocente, mas para um empresário, isso irá soar como aumentar lucro.  A questão que quem está mostrando a idéia esquece de dizer que é verdade que melhora a qualidade e a velocidade do time de desenvolvimento (na maioria dos casos) mas isso não é para ser usado como motivo para aumentar a carga de trabalho da equipe e sim permitir um equilibrio maior. Tal equilibrio significa fazer menos horas extras, ter uma jornada de trabalho mais leve e que permita as pessoas irem para suas casa felizes e ainda com energia para conviver com suas famílias, ou então, realizarem outras atividades como esportes, estudos, etc. O mais engraçado disso que relendo o manifesto agil e alguns textos mais antigos sobre o assunto notei que, eles sempre carregam uma mensagem de foco no humano… na visão do profissional não como recurso e sim como individuo e trabalhador criativo que tem necessidades a serem atendidas.

Outra palavra chave que quero adicionar a nossa equação é : SUSTENTABILIDADE. Modelos que andam no limite não são sustentáveis… pois trabalhar sempre na modalidade de capacidade total significa maximizar também os desgastes.  A natureza mostra que devemos sempre buscar uma velocidade de cruzeiro, ou seja,  um rendimento tal que possamos andar bem mas sem tocarmos as fronteiras do recurso ou pessoa. Sustentabilidade também tem relação com pensar no futuro. Por isso, sempre querer inovar em tudo, pode acarretar em não ser sustentável no médio nem no longo prazo.  Viver trabalhando com as  últimas novidades ou com padrões, que ainda não estão totalmente difundidos no mercado, é buscar um vida dificil  para o Rh. Pois as pessoas que lá estão hoje, por gostarem de novidades, logo mudaram o foco de seu interesse para outras coisas e aquele sistema ficará, lá, legado a ninguém pois, ainda não existem profissionais disponiveis no mercado com o tal conhecimento.

Por isso, volta a frase:  ” O melhor é o caminho do meio”.  Temos sim que tentar aumentar nosso tempo de resposta a projetos, ajudar as empresas a ganhar dinheiro, entretanto é importante também garantir a sustentabilidade do processo e das pessoas.

Published by Andre, on agosto 22nd, 2009 at 10:13 pm. Filled under: atualidades,Informática,Sem categoria Tags: , , , 3 Comments