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Viagens, opiniões e afins

by Andre Fonseca


Medo de Mudar

O ser humano por mais desbravador e aventureiro que seja seu espírito ( estamos tentando ir para todo lado, entender tudo, etc)  sempre vive um desconforto frente a possibilidade de experimentar o novo.  Que criança nunca “torceu o nariz” quando a mãe mandava provar uma comida que não tinha visto antes; que pessoa num recuou frente a um possibilidade de ir em direção a uma oportunidade nova; quem nunca sentiu insegurança quando se formou e agora terá de enfrentar um mundo novo…  O problema é quando esse desconforto virá medo paralisante e inconscientemente nos tornamos agressivos com relação aos agentes da mudança.

Temos vivido um momento muito interessante dentro do mercado de TI : todo o processo, o “como fazer”, qualidade, e muitas outras coisas, tem sido questionado, paradigmas quebrados, novos processos, novas metodologias, novas linguagens, e muitas outras que se continuasse poderia facilmente escrever páginas e mais páginas só com a lista.  Isso acaba gerando um estado de CAOS (caos não é desordem, é ausencia de ordem) , num sentido que não existe uma forma única de fazer mais nada. Isso é algo ímpar e altamente interessantes pois as possibilidades são quase que infinitas.  Por outro lado, para o pessoal menos aberto a mudanças, ou até menos preparado para oque está acontecendo, isso representa uma “escuridão” plena, na qual não é possível enxergar o terreno por onde se caminha. O medo, ou melhor, o receio não é algo ruim, nem deve ser evitado, ele é um recurso importante de nossa inteligência pois nos impede de colocar a “mão na aranha e ser picado”, mas ele não pode ser nunca paralisante.

O receio frente a mudanças deve ser tratado com serenidade e inteligência, onde um bom primeiro passo seria procurar entender melhor essa novidade. Além de entendê-la verificar se ela trará algum valor para seu trabalho ou empresa. E por fim, dar um chance, verdadeira (famoso coração aberto, mente aberta, entrega total) a proposta e vivenciando num universo controlado julgá-la. Em diversos casos relatados por colegas que tentaram trazer novidades, ou fizeram consultorias contratadas para promover algum tipo de mudança, e outras possibilidades,  sempre ouvi exemplos de reativos: pessoas que se recusavam a ouvir, entender e até mesmo tentar aquilo. Alguns partiam para atitudes agressivas, criticando de forma cega e tendo atitudes de sabotagem.

Quando o medo (receio) frente a mudança se torna agressividade – agressividade aqui diz respeito ao bloqueio e criticas mordazes -  isso acaba virando um jogo perigoso e, em minha opinião, NUNCA é (ou será) bom para nenhuma empresa.  Em muitos casos,  as coisa ficam num clima de guerra onde existe o pessoal que defende a mudança “com unhas e dentes” e outros que contrariam as mudanças “com unhas e dentes” .  Sei que existem milhares de técnicas, dinâmicas, e outras coisas, que podem miticar esse clima, mas um vez esse ambiente criado sempre existirá um desgaste que poderia ser evitado se as pessoas agissem como humanos e fossem mais desbravadoras.

Antes que confundam e passem a pensar que estou incentivando a aceitar toda e qualquer mudança, quero dizer que não sou a favor de sairmos agora experimentando tudo de novo que for divulgado ou criado.  Ainda acredito na questão da sustentabilidade – empresas que são muito vanguardistas  acabam pagando um preço de falta de profissionais e manutenabilidade no longo prazo, por exemplo – embora também penso que, profissionais principalmente de TI, devem sempre estar estudando e lendo sobre as novidades que estão surgindo até mesmo para ter uma opinião concreta sobre o assunto e um dia decidir se vale ou não a pena usar aquilo.

Como sempre digo, o caminho sempre estará no meio.   Ser fechado e averso a tudo novo e agir de forma agressiva ( criticando, trabalhando para falhar a iniciativa, defamando as pessoas, etc) é estupidez e uma tremenda burrice. Agora ser um viciado em novidades e sair usando versões noturna (nightbuilds) de tudoé loucura e inconsequência juvenil demais para um profissional.  Ponderar entre o já conhecido e sob controle e a novidade é algo que só traz benefícios e exemplos disso não faltam no mercado.

Published by Andre, on dezembro 10th, 2009 at 6:28 pm. Filled under: atualidades,gestão,Informática Tags: , , No Comments