Monte de gente trabalhando com cueca em cima da calça.
Já estou na estrada a um certo tempo e confesso que ando cansado de um cultura que se estabeleceu em relação a jornada de trabalho: “Pessoas que trabalham mais do que as 8 horas previstas que são boas”. Eu vejo essas pessoas, como o livro Rework mesmo diz, como os heróis do mundo corporativo.
Cena clássica: O expediente já terminado e ainda um grupo de pessoas permanecem no prédio trabalhando. As horas vão avançando, e aos poucos o edifício vai ficando escuro, somente restante aqueles pequenas janelas iluminadas, onde os grandes e dedicados trabalhadores permanecem. Eles estão ali por abnegação total – não receberão um centavo a mais por aquelas horas a mais – apenas pelo prazer de ter o serviço feito na “data”, com extrema perfeição. Esses homens e mulheres por várias vezes, se não bastassem a imensa quantidade de horas extras que já fazem, ainda levam coisas para trabalharem em casa.
Suas famílias os enxergam como pessoas devotadas, com um alto senso de sacrifício. As empresas elogiam, chefes “promovem” pessoas com este perfil, muito são admirados em seus locais de trabalho.
Na verdade, essa pessoas, tem um problema e não uma qualidade. Quem trabalha demais pode ser considerado um viciado. Assim como existem pessoas que bebem demais, comem demais, jogam demais. Além disso, o excesso de horas extras é evidencia de que existe algo errado, seja com quem esta coordenando, seja com quem está realizando.
Pessoas que precisam mais que as 8 horas diárias (40 semanais) provavelmente estão fazendo as coisas erradas e não devem ser heróis, devem sim, ser exemplos de como não fazer. Primeiro que isso não é um hábito saudável, longe de ser algo bom para suas famílias, etc. Segundo, como já disse antes, excesso de trabalho é porque há falta de planejamento.
Muitas vezes vi pessoas que não sabem dizer não. Vi muitos que pensam que para serem reconhecidos tem que sacrificar-se. Bom, no mundo corporativo atual isso faz sentido, mas, graças ao esforço de alguns, isso vem mudando. Fico feliz em pode sair do meu trabalho na hora, pois isso é sinal de que estou sendo eficiente. Muitos que estão fazendo horas extra por aí, são pseudos perfeccionistas que não conseguem entregar nada, tem dificuldades de se concentrar durante o expediente, tem dificuldades e assume compromissos maiores que suas capacidades. Só faltam, como diz um amigo meu, colocar a cueca por cima da calça e sair voando em seus pegasus brancos alados.
Bom é aquele cara silencioso que faz o serviço dele durante que tem disponível.
Não confundir isso com pessoas que são apaixonadas por aquilo que fazem. Pessoas que depois de suas jornadas, seguem para suas casas e continuam a “trabalhar” em seus projetos pessoais, blogs, comunidades, etc. Para esses, o excesso é mais diversão, prazer. Eles estão “brincando”.
A muito tempo atrás quando minha esposa estava grávida de minha primeira filha, eu estava ansioso e muito preocupado quanto a como eu deveria educá-la. Procurei livros, procurei conversar com pessoas que já tinham filhos, conversei com meus pais, outras pessoas mais velhas, não perdia um programa que passava sobre o assunto na TV. Mergulhei fundo em busca de um fórmula onde pudesse obter êxito na missão como pai. Meus amigos! Eu ouvi de tudo. Ouvi que palmadas fazem bem; ouvi que palmadas fazem mal; ouvi que devemos conversar com as crianças como se fossem adultos, enquanto outros argumentavam o justo contrário; etc. A única coisa que foi quase unânime de tudo foi a questão da disciplina. Toda criança precisa de disciplina. Toda criança precisa de limites. Antes que comecem a pensar que fiquei doido e passei a escrever sobre outros temas, a leitura do livro “Rework” me trouxe a tona essa questão e vi que existe um paralelo que podemos explorar.
A questão que o limite em muitos casos pode ser algo interessante e até positivo. Quando não temos limite, não temos também parametros. Tudo é possível. As possibilidades são infinitas. Com isso já vi muitos projetos falharem de forma homérica. Mas como o fato de não ter uma constraint pode atrapalhar um projeto? Ou melhor, como uma fronteira pode trazer sucesso para o um produto? Voltemos para a história da criança. Quando criamos um filho, se não dermos limite para ele, ele fica perdido. Não existe horizonte para ele. Não existe um espaço bem definido. Isso faz com que no imediato ele até seja feliz, mas no longo prazo atrapalho e muito a construção de seu ego (deixo maiores esclarecimentos para os psicólogos). Filhos se limite, são adultos inconsequentes, inseguros, indecisos. Uma criança se sente segura num ambiente bem delimitado, disciplinado.