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Viagens, opiniões e afins

by Andre Fonseca


Monte de gente trabalhando com cueca em cima da calça.

Já estou na estrada a um certo tempo e confesso que ando cansado de um cultura que se estabeleceu em relação a jornada de trabalho: “Pessoas que trabalham mais do que as 8 horas previstas que são boas”. Eu vejo essas pessoas, como o livro Rework mesmo diz, como os heróis do mundo corporativo.

WorkaholicCena clássica:  O expediente já terminado e ainda um grupo de pessoas permanecem no prédio trabalhando. As horas vão avançando, e aos poucos o edifício vai ficando escuro, somente restante aqueles pequenas janelas iluminadas, onde os grandes e dedicados trabalhadores permanecem. Eles estão ali por abnegação total – não receberão um centavo a mais por aquelas horas a mais – apenas pelo prazer de ter o serviço feito na “data”, com extrema perfeição. Esses homens e mulheres por várias vezes, se não bastassem  a imensa quantidade de horas extras que já fazem, ainda levam coisas para trabalharem em casa.

Suas famílias os enxergam como pessoas devotadas, com um alto senso de sacrifício.  As empresas elogiam, chefes “promovem” pessoas com este perfil,  muito são admirados em seus locais de trabalho.

Na verdade, essa pessoas, tem um problema e não uma qualidade.  Quem trabalha demais pode ser considerado um viciado. Assim como existem pessoas que bebem demais, comem demais, jogam demais. Além disso, o excesso de horas extras é evidencia de que existe algo errado, seja com quem esta coordenando, seja com quem está realizando.

Pessoas que precisam mais que as 8 horas diárias (40 semanais) provavelmente estão fazendo as coisas erradas e não devem ser heróis, devem sim, ser exemplos de como não fazer. Primeiro que isso não é um hábito saudável, longe de ser algo bom para suas famílias, etc. Segundo, como já disse antes, excesso de trabalho é porque há falta de planejamento.

Muitas vezes vi pessoas que não sabem dizer não. Vi muitos que pensam que para serem reconhecidos tem que sacrificar-se. Bom, no mundo corporativo atual isso faz sentido, mas, graças ao esforço de alguns, isso vem mudando.  Fico feliz em pode sair do meu trabalho na hora, pois isso é sinal de que estou sendo eficiente.  Muitos que estão fazendo horas extra por aí, são pseudos perfeccionistas que não conseguem entregar nada, tem dificuldades de se concentrar durante o expediente, tem dificuldades e assume compromissos maiores que suas capacidades. Só faltam, como diz um amigo meu, colocar a cueca por cima da calça e sair voando em seus pegasus brancos alados.

Bom é aquele cara silencioso que faz o serviço dele durante que tem disponível.

Não confundir isso com pessoas que são apaixonadas por aquilo que fazem.  Pessoas que depois de suas jornadas, seguem para suas casas e continuam a “trabalhar” em seus projetos pessoais, blogs, comunidades, etc. Para esses, o excesso é mais diversão, prazer. Eles estão “brincando”.

Published by Andre, on setembro 18th, 2010 at 9:33 pm. Filled under: agil,atualidades Tags: , , , , 1 Comment

Limite é um amigo legal.

Nesse últimos dias tenho me dedicado a leitura do livro “Rework” do Jason Fried e David Heinemeier.  A publicação é simplesmente demais e vale cada centavo gasto em sua compra. Recomendo muito a sua leitura.  Uma das mensagens legais que ele traz é questão das limitações:  Segundo os autores, as limitações não são algo ruim… são coisa boas.  A partir daí resolvi viajar nessa questão.

A muito tempo atrás quando minha esposa estava grávida de minha primeira filha, eu estava ansioso e muito preocupado quanto a como eu deveria educá-la. Procurei livros, procurei conversar com pessoas que já tinham filhos, conversei com meus pais, outras pessoas mais velhas, não perdia um programa que passava sobre o assunto na TV.  Mergulhei fundo em busca de um fórmula onde pudesse obter êxito na missão como pai. Meus amigos! Eu ouvi de tudo. Ouvi que palmadas fazem bem; ouvi que palmadas fazem mal; ouvi que devemos conversar com as crianças como se fossem adultos,  enquanto outros argumentavam o justo contrário; etc. A única coisa que foi quase unânime de tudo  foi a questão da disciplina. Toda criança precisa de disciplina. Toda criança precisa de limites. Antes que comecem a pensar que fiquei doido e passei a escrever sobre outros temas, a leitura do livro “Rework” me trouxe a tona essa questão e vi que existe um paralelo que podemos explorar.

Muitos tendem a achar que o limite é algo ruim.  Faz sentido. Vejam as definição da palavra no dicionário:

s. m.
1. Linha que estrema superfícies ou terrenos contíguos (Mais usado no plural.) = fronteira, raia
2. Termo, extremo, confim; meta.
3. Mat. Quantidade fixa de que uma variável se aproxima indefinidamente sem nunca a alcançar.

s. m.1. Linha que estrema superfícies ou terrenos contíguos (Mais usado no plural.) = fronteira, raia2. Termo, extremo, confim; meta.3. Mat. Quantidade fixa de que uma variável se aproxima indefinidamente sem nunca a alcançar.

limitesA questão que o limite em muitos casos pode ser algo interessante e até positivo.  Quando não temos limite, não temos também parametros.  Tudo é possível. As possibilidades são infinitas. Com isso já vi muitos projetos falharem de forma homérica. Mas como o fato de não ter uma constraint pode atrapalhar um projeto? Ou melhor, como uma fronteira pode trazer sucesso para o um produto?  Voltemos para a história da criança.  Quando criamos um filho, se não dermos limite para ele, ele fica perdido.  Não existe horizonte para ele. Não existe um espaço bem definido. Isso faz com que no imediato ele até seja feliz, mas no longo prazo atrapalho e muito a construção de seu ego (deixo maiores esclarecimentos para os psicólogos).  Filhos se limite, são adultos inconsequentes, inseguros, indecisos.  Uma criança se sente segura num ambiente bem delimitado, disciplinado.

Os limites ajudam a gente a manter o foco. Quem nunca sofreu com decisões que existiam milhares de opções. Quem nunca ficou perdido escolhendo entre milhares de possibilidades. Quanto menos opção mais focada é o seu raciocínio. Isso não significa dizer que deve estreitar seu pensamento. Significa que limite são bons e não devemos reclamar e nos deter quando eles existem.  Limitações de tempo, prazo, escopo, custo, podem ajudar a criar algo simples e enxuto e, por fim, isso se tornar um produto de sucesso.

Um outro bom exemplo são as reunião. A impor um limite de tempo e escopo a ser discutido, uma reunião se torna incrivelmente produtiva. Quem nunca participações de um reunião interminável em que as pessoas se perdiam em diversos pontos sobre um assunto e no final não decidiram nada.  Limite está nos time box que diversos frameworks de gestão propõe.

Como para a criança, limitar é algo primordial no dia a dia de um projeto. Sem isso estamos condenados a vagar por uma infinidade, vastidão, de possibilidades. E com isso, nada fazer. Pense nisso.

Published by Andre, on setembro 14th, 2010 at 1:12 pm. Filled under: agil,atualidades Tags: , , No Comments

Os antigos construtores romanos eram como bons programadores.

Outro dia estava vendo televisão e assisti a um programa que contava a história da construção do Coliseu. Pode parecer uma certa loucura mas na mesma hora acabei trançando um paralelo com a forma que estamos concebendo sistemas atualmente.  Mal comparando, nos dias de hoje, a construção de prédios é um processo mecânico e repetitivo onde, para ser feito, não exige um pedreiro que seja um verdadeiro artista: basta que ele faça seu trabalho e sigas as regras definidas pelos arquitetos e engenheiros.  Essa forma podemos dizer que se assemelha muito a diversos processos de produção de softwares que temos por aí onde, um grupo selecto de pensadores definem “TUDO”  e como serão todos os aspectos antes; já os programadores tem a única missão de criar código que faça exatamente que essa elite definiu sem grande rompantes de criatividade e  dentro das regras pré estabelecidas pelos engenheiros responsáveis pelo cálculo estrutural do aplicativo.

Na época dos romanos, os pedreiros eram artistas e  mestres em seu ofício.  Construir algo fugia de formulas e tarefas repetitivas. Era um trabalho que exigia inspiração e muito talento. Não era qualquer um que era capaz de pegar um bloco de mármore e transformá-lo numa linda coluna jônica adornada. Existiam aprendizes e quase mestres, todos menos preparados,  que faziam um trabalho bruto inicial, mas a medida que se aproximava do produto final, eram somente os grandes mestres que punham as mãos na massa.  Como que numa inversão da linha do tempo, essa forma de fazer as coisa se assemelha ao jeito que temos buscado implementar as coisas em TI.

Voltando a questão do Coliseu, o narrador explicava alguns detalhes da construção e seus porque. Uma coisa que me chamou a atenção foi quando ele explicou a questão dos arcos externo: são todos iguais.  Isso aconteceu pois na época não tinham tantos mestres pedreiros disponíveis e este eram muito caros. Logo se optou por padronizar diversas formas no momento como uma forma de permitir que alguém se grandes preparos fosse capaz de fazer aquilo.  Se pegarmos a ideia e extrapolarmos que isso acontece muito no nosso meio. Existem diversas empresas por aí que não querem pagar pelos melhores que optam por padrões e formulas de enquadramento para permitir que um profissional menos qualificado seja capaz de realizar o trabalho. Claro que isso, assim como no Coliseu, se mostra em muito dos caso um OVERDESIGN.

Embora isso até funcione dentro de algum contexto, o a exigência dos clientes e usuários está aumentando.  Hoje todos buscam por coisas que sejam fáceis de usar,  bem feitas e robustas do ponto de vista das falhas.  Ninguém mais aceita sistemas que falhem; ninguém mais aceita sistemas que seja mal feitos; nenhum cliente tolera ver seu produto – no qual pagaram bastante caro – cheio de bugs e gambiarras em produção; etc.  Conceber um sistemas não é o mesmo que fazer uma parede: é necessário uma certa inspiração para que seja feita  uma boa implementação, numa forma clara, testável, entre outros aspectos. Quem nunca ficou apavorada ao abrir classes de 10 mil linhas? Quem nunca ficou horrorizado ao ver métodos com um amontoado de if aninhados? Quantas vezes você não xingou a mãe de alguém que deixou aquele código porco que não dá para entender onde ele começa e termina?

A frase frequente do mercado é que este tipo de profissional, altamente qualificado  (vulgo ninja) é caro. Que nem sempre os orçamentos podem comportar muito desses caras. Embora isso, de certa forma, seja verdade, diversos estudos (vide o livro Mítico Homem mês) mostram que este profissionais também são mais produtivos, com diferenças de até 10 vezes.  Outra pergunta que deve ser feita é quanto a qualidade daquilo que está sendo entregue vale para o contratante ou para o usuário final.  Outra coisa, em minha humilde opinião, não é preciso que todos do time sejam grandes conhecedores e senior . Podemos ter diversos ali que estão aprendendo e nessa caminhada podem se ocupar de realizar trabalhos menos vitais e tudo sobre a tutela dos mais experientes.  Além disso, acredito que o processo de realizar um sistemas esteja mais para uma produção artística do que para a construção de uma casa.  Não para ter um monte de gente trabalhando numa escultura da mesma forma que temos um amontoado de gente fazendo a casa.

Muitos poderiam dizer que existem projetos e projetos, outros mesmos diriam: “Esse regra que afirmam por aí de usar times pequenos (entre 2 a 6 pessoas) não se aplica quando se fala de grandes sistemas como um sistema operacional. ” Só lembro que o Linux, sistema que está na grande maioria dos servidores atuais, foi inicialmente concebido por uma única pessoa.  Sei que isso pode soar como uma exceção, entretanto, a cada dia que passa vejo o quanto isso está certo.  Mas esse assunto de times pequenos quero trazer em outro momento. Fiquem atentos aos próximos posts.

Published by Andre Fonseca, on setembro 11th, 2010 at 11:11 pm. Filled under: agil,atualidades Tags: , , No Comments

Despertar de uma nova consciência.. será ?

No post anterior, contei um pouco sobre algumas das conversas que vemos tendo dentro da nossa cerveja semanal, o #horaextra.  Recapitulando, existe um pessoal que sempre que pode se reúne as segunda-feiras para tomar um chopp e colocar os assuntos em dia. Essa galera totalmente GEEK e apaixonada por que fazem  não consegue se desligar do assunto tecnologia, comunidade, etc. Um dos temas recorrentes nos últimos encontros, trocas de e-mail, chats, e diversas outros meios de comunicação, tem sido a questão do empreender.
Empreender, em minha humilde opinião, é ter uma ideia e coloca-la em prática. Não como um sonhador, mas com os pés no chão: analisando a viabilidade, validade, consistência, mercado, etc.  Os empreendedor é um ser especial que segundo o Wikipedia defini-se:
… aquele indivíduo que detém uma forma especial, inovadora, de se dedicar às atividades de organização, administração, execução; principalmente na geração de riquezas, na transformação de conhecimentos e bens em novos produtos – mercadorias ou serviços; …
De certa forma, empreender é gerar riqueza; buscar riqueza. Acredito que também aí exista um idealismo, algo maior que só enriquecer:  exista um desejo de criar e realizar. Porém, no final, quando tudo mais se dissipa, empreendemos na busca de ganhar dinheiro. Assim é de se esperar que alguém que busque dinheiro seja alguém que jamais irá gastar o seu tempo em fazer algo que não seja dentro do seu foco: Lucro. Num preconceito somos levados a crer que o empreendedor dificilmente fará algo somente por ajudar o outro.
Qual não a minha surpresa, já que também tenho esse preconceito a respeito de quem empreende,  quando ouvi uma proposta de negócio em que o mote é de ajudar outras pessoas com seu negócio, servir de encubadora, fomentadora. Sim, isso mesmo que você leu. Um negócio para ajudar os outros a realizar seus negócios. E antes que alguém diga – “Ah tá, os caras estão afim de criar um consultoria.. algo para ganhar dinheiro” –  quero avisá-los que tudo isso seria feito sem custo.
Confesso que consigo até ver alguém lendo isso e dizendo – “Esses caras são loucos. Devem ser todos aqueles socialistas de barbas longas com camisa do Che “. Bom, nada disso meu caro. Todos que estão embarcando nessa oportunidade são pessoas que também querem enriquecer, ganhar dinheiro, etc.  A questão está mais ligada a COERÇÃO. Segundo o dicionário on line que consultei, o significado da palavra é:
Ato de coagir. Render, forçar a fazer.
Aqui, segundo o Henrique Bastos, quem cunhou o termo na discussão, COERÇÃO tem mais a ver com a questão do meio, o contexto, levando as pessoas as realizarem algo. Na medida que promovemos as iniciativas das pessoas, mesmo sem cobrar por isso, estamos de certa forma alterando o ambiente. Recriando o clima tornamos “a terra fértil” para todos. Seria como se todos colaborássemos no plantio, no final, essa mudança facilitaria e propiciaria o plantio de todos. Ai que está a ideia revolucionario. Doando parte do nosso tempo, acabamos não só ajudando alguém como nos ajudando também. Isso fica claro quando pensamos em Open Source. Ao contribuir, você ganha em aprendizado  e experiência e com isso se torna mais preparada para quando for trabalhar.
É puro small acts na veia.
Published by Andre, on setembro 10th, 2010 at 12:39 pm. Filled under: agil,atualidades,Sem categoria1 Comment