A um tempo atrás uma empresa entrou em contato comigo para que eu os ajudassem num projeto deles. Para este projeto, dada a dificuldade deles em encontrar bons profissionais no mercado do rio de janeiro, eu teria a responsabilidade de montar a equipe ( recrutar e treinar – caso necessário) , gerir o desenvolvimento da ferramenta e ainda dar suporte posterior. eu fiquei um bom tempo pensando na proposta e depois que as coisas não foram para frente me senti tentado a contar a história e aproveitar para passar algumas visões minhas.
A primeira coisa que me chamou muito a atenção na conversa que tive com o pessoal da empresa, foi o discurso deles de que não conseguiam contratar bons profissionais no rio de janeiro (inclusive eles iriam se mudar para outra cidade em função disso). Eu discordo disso. Existem excelentes profissionais aqui, como em qualquer outro lugar. A questão é ver qual era o perfil que eles estavam buscando e a remuneração que ofereciam. Uma coisa que aprendi com meu pai e com meu tio Luiz é que coisa boa é cara. Pode parecer loucura ou até presunção da minha parte, mas concordo com isso. Se quer um profissional que faça o “feijão com arroz” tem que estar disposto a pagar o “feijão com arroz”; agora se quer o melhor você tem que estar disposto a pagar pelo melhor. Não estou dizendo que eles não pagavam bem até porque nunca soube os valores que eles pretendiam. Outro ponto é o perfil: vem acontecendo uma transformação nos profissionais do rio que aos poucos vão fugindo do padrão e com isso, para que os não se atualizam e vivem com os olhos tapados, parece que não existem profissionais bons. Os bons do Rio, estão fazendo coisas muito interessantes mas não usam terno, entendeu
Não adianta vir aqui e dizer que não tem cara bom se você quer obter os melhores buscando no refugo e pagando salário de estagiário. (Peguei pesado mas é isso mesmo) .
Outro aspecto da conversa com eles foi a visão ainda de fábrica de softwares deles. Confesso que na hora que ouvi isso levei um susto. FÁBRICA DE SOFTWARE !!! Isso não. Não sei quanto a vocês, mas não consigo mais me ver ou compreender a razão para um modelo de fabrica de software. Eu realmente acredito no poder dos times. No poder dos pequenos e coesos times. Essa coisa de quebrar em etapas, e um escreve a primeira letra e outro coloca o ponto e vírgula, já foi ! Todos devem fazer tudo e mexer em tudo. Nada de especialista de porcas, especialistas de parafusos, etc.
Não consigo mais ver vantagem na multidão. Hoje, se fosse montar uma equipe, e tivesse o recurso necessário, montaria uma equipe pequena, com bons skills e super coesa. Não estou dizendo que só escolheria gênios. Muito pelo contrário, escolheria pela afinidade, pela vontade de fazer algo melhor, pela disposição, e outros fatores afins. E faria de tudo para a equipe se manter do mesmo jeito e pequena. Nada de crescimento. Com certeza a comunicação iria fluir muito bem; os projetos iriam sair com qualidade; tudo iria funcionar como um “relógio” não porque existem gênios mas porque o time é unido, coeso e a famosa história do conjunto ser melhor que a soma dos indivíduos.
Por fim quero deixar algumas conclusões: [1] Existem bons profissionais em qualquer lugar. Pode ser que esteja procurando errado. Realinhe seu foco, procure entender o mercado e retome as buscas; [2] Para se ter o melhor, você tem que estar disposto a dar o melhor – isso implica é muito mais coisa que salário; [3] Times pequenos são melhores que multidões. A força está no entrosamento. é muito mais difícil obter coesão de conjuntos enormes. Se o projeto é grande, quebre-o em muitos pequenos times independentes e verá que será melhor. [4] É preciso acompanhar as mudanças do mercado até mesmo para contratar. Os perfis são outros e com isso as empresas tem que se adaptar.
Bem é isso. Aguardo o comentário de vocês. Até o próximo !!!
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excelente!
hoje em dia, fujo de ‘fabricas de software’.
atraso pra empresa e pro profissional
E quantos projetos sua equipe “coesa” daria conta de implementar por mês?
Isso geraria renda suficiente para manter uma empresa?
O ótimo é inimigo do bom! Uma ótima implementação que não paga o custo da equipe não é melhor que uma implementação de qualidade aceitável que gera lucro para a empresa.
Gosto dos seus posts mas está faltando pensar em larga escala.
Existem empresas, inclusive de engenharia, que estão vendo vantagem em manter equipes pequenas porém com uma seleção melhor. Parafraseando você na época da neoris: prefiro 3 caras que eu conheço e estão do meu jeito do que um exercito de incompetentes Dé orlando. (lembra disso)
Nem sempre mais gente significa mais produtividade. Equipes pequenas com caras muito bons e integrados tendem a levar menos tempo e desenvolver coisas com maior valor agregado e qualidade para o cliente.
O desafio, ai concordo com você, é o equilíbrio do custo: geralmente para esse tipo de utopia é preciso pagar bons salários e ter bom ambiente – de forma bem geral – para poder ter os melhores contigo.
Não é só uma questão de tamanho da equipe. Equipes menores são sem dúvida melhores que equipes grandes, mas chega um momento em que a equipe/empresa tem que crescer para passar a ganhar dinheiro com o volume, e a equipe acabará incorportando novos integrantes ou a empresa acabará incorporando novas equipes.
Nesse momento, o única maneira de manter uma equipe/empresa sintonizada, falando a mesma língua e buscando os mesmos objetivos é estabelecendo padrões, não só de trabalho mas de metas.
Ninguém abre uma fábrica de software para desenvolver 2 projetos, mas sim para desenvolver vários e ao mesmo tempo. Um dos maiores benefícios de uma fábrica de software, o pool de recursos intercambiáveis entre projetos. Agora eu pergunto, como intercambiar recursos se não há uma padronização no trabalho?
Integração da/entre equipe(s) é um fator importantíssimo, mas para viver em sociedade (e uma equipe/empresa é uma sociedade), é preciso haver um conjunto de regras que norteam todos os seus membros na mesma direção. Quanto maior a sociedade, maior o conjunto de regras que precisam ser estabelicidas para manter a ordem.
Voltando para o exemplo do setor automotivo, vários operários sem estudo e com pouco preparo são capazes de contruir um carro em pouco tempo. Já um único operário com alta qualificação e preparo demoraria muito mais tempo para produzir o mesmo carro.
Modularizar e padronizão aumentam produtividade.
O problema não está na modularização e padronização, mas em achar o equilíbrio para que estes não limitem a inovação.