Resposta a email : “Empresa grande ou pequena”
Hoje, numa das lista de discussão por que participo, um dos integrantes postou uma pergunta que recebeu de uma outra pessoa (confuso isso, não). A pergunta ou relato, era que ele trabalhava antes numa pequena empresa onde tinha um ambiente amigável, livre para experimentar, que era reconhecido, etc. Por motivos não revelados, disse que saiu dessa empresa e foi para outra empresa, desta vez, grande. Lá, sentiu um clima completamente diferente: as pessoas pouco amigáveis, pouco espaço para inovar ou usar algo mais novo e por aí seguia em sua lamúria. Por fim terminou perguntando qual era a melhor: Pequena ou grande empresa ?
Essa é uma pergunta nada simples de responder pois envolve muita mais do que um simples “é esta ou aquela” , depende muito do contexto e do que a pessoa que está perguntando quer para a vida profissional (e pessoal também) . Isso porque, para uns uma grande empresa com suas características é o objetivo e para outros pode ser justamente oque ele não quer. E isso, para aumentar a dificuldade, pode mudar ao longo da vida e de outros fatores como filhos, casamentos, etc.
Mas, como diz Maquiavél em seu livro “O Príncipe”, devemos sempre nos posicionar pois neutralidade não é uma boa coisa. Por isso, ai vai uma tentativa de responder algo que jugo justo e bom para a pergunta do rapaz.
Pequenas empresas, por incrível que isso soe aos seus ouvidos, elas são pequenas (imagino as pessoas rindo agora). Por serem pequenas, elas não tem margem para ter gorduras em seus orçamentos, otimizando ao máximo o uso de seus recursos e pessoas. Com isso alguns aspectos, que acredito sejam relevantes, aparecem:
- o dono da empresa está ali do seu lado e convive com a realidade de todos os “setores” da empresa. Logo o reconhecimento dele pelo trabalho realizada é mais simples de ser feito ou notado
A distancia entre os funcionários e o dono da empresa é praticamente nula. Muitas empresa, inclusive, o dono faz parte da equipe. Assim, devido a esta convivencia estreita, fica mais fácil para ele estar a par de tudo que acontece e de verificar, in loco, o comportamento de seus contratos. Não existe intermediário, não existe gerente que tenha a sua visão pessoal da coisa… o dono está ali na cadeira do lado vendo o seu rendimento e dedicação.
Isso pode ser bom, como ruim ao mesmo tempo. Por esta ao lado ele pode reconhecer o esforço mais rápido; o lado ruim que isso gera um desgaste que pode, por besteira, levar a um julgamente precipitado.
- O fato de serem pequenas e possuirem esta estrutura “magra”, elas são extremamente ágeis: mudam de direção com maior facilidade e são mais amigáveis a novidades de processo, tecnologia, etc.
- Não existe muita margem para setorizar as coisas, logo todos acabam fazendo um pouco de tudo:
Não existe uma área para cuidar dos servidores, outra para testar e por ai vai … existe o cara que é desenvolvedor que por vezes vai meter a mão no servidor e acertar a configuração do servidor de email, acerto o banco de dados, instalar o JBoss, etc. Isso dá uma “liberdade” muito grande para inovar e experimentar já que você que vai cuidar de tudo isso mesmo.
Para as grandes empresa posso dizer que:
- Devido a seu imenso tamanho, o dono da empresa não tem como estar ao seu lado, com isso, o reconhecimento da empresa é feito pelo seu “chefe” direto. Com isso, é muito comum encontrar dentro delas realidade diversas pois o clima, processo, e outras coisa de um setor depende do seu gerente (coordenador ou qualquer outro nome que queira)
- Empresas grandes precisam de diretrizes e culturas rigidas, senão ficará uma loucura internamente. Por isso, são pouco tolerantes as novidades, principalmente tecnologicas. Tudo tem que ser aprovado por comites que nem sempre (99% do casos) são formados por pessoas com interesse de fazer algo.
- Tudo é setorizado pois, devido a quantidade de coisas não tem como o desenvolvedor fazer um pouco de cada, como nas pequenas empresas. Isso é bom pois acaba tendo especialistas em assuntos e a oportunidade de aprender é grande mas por outro lado a liberdade de fazer algo diferente é menor.
- As chances de se destacar são poucos pois a visibilidade é pouca. Por isso existe grande competição interna, tendo pouca margem para um ambiente amigavel.
Eu particularmente estou num momento que prefiro empresas pequenas a médias. Nelas existe maior flexibilidade e maior espaço para desenvolver o trabalho que quero: crescer, aprender, inovar e etc.
Empresas grandes por outro lado, tem mais força para investir no profissional por meio de cursos, formações internas, palestras e etc. Além disso, dentro de empresas grandes, você tem muita gente com quem pode juntar para aprender.
Tudo depende do que quer para sua vida nesse momento.
Outra coisa importante: Quem faz o seu ambiente é você.
Por isso, se as coisas estão ruins, transforme-as. Pelo menos tente. Converse com o seu pessoal, promova encontros fora do trabalho para quebrar o gelo… Divulgue material das coisas que você acha interessante… Divulgue eventos…. Mostre que existe um outro jeito interessante de fazer as coisa que dá resultado. Faça um protótipo e mostre para o seu chefe. Transforme a realidade a sua volta. Caso isso funcione depois de um certo tempo (este tempo você decide pela sua disposição) ai sim saia e vá para lugar melhor, mas saira de cabeça erguida pois tentou fazer do mundo um lugar melhor.