Sendo Sustentável em desenvolvimento de projetos
Muito sem tem dito, hoje, sobre a questão da gestão de projetos. Nisso, incluo a famosa atual discussão da aplicação de metodologias ágeis, que antes eram práticas aboninadas, frente aos sucessivos fracassos que as gestão waterfall (gestão de atividades em cascatas cuja a imagem mais forte são os gigantescos cronogramas em gráficos de Gantt). Embora exista, de uma certa forma, um guerra entre os padrões – ora um diz que é melhor por um motivo, ora outro diz que não é nada disso, ambos mostram casos de sucessos e erros dos outros e por ai vai – existe pontos bastante comuns em seus discursos, como por exemplo: foco na satisfação do cliente, busca por altos rendimentos – produtos entregues mais rápido, com maior qualidade, etc.
Ninguém está errado em querer focar em agradar seu cliente, muito menos na busca por maximizar seus lucros ( vender mais e gastar menos para realizar, etc). A questão que gostaria de discutir é a mensagem vinculada que vem sendo dita por ambos que remete a querermos trabalhar sempre próximos de nossos limites (alta disponibilidade, entregas super rápidas, e outras coisas parecidas)
Não é errado quere maximizar os trabalhos. O problema está em sempre querer usar e fazer as coisas no limite ( para cima ou para baixo)
Outro dia conversando com um amigo,falvamos da situação atual onde temos empresas onde tudo é maior, melhor, alto, etc. Empresa, que devido a uso de alguma metodologia “bala de prata” , as entregas são super rápidas, projetos com alta tecnologias, sistemas com as últimas novidades, e (ufa!) por ai seguem. Tudo feito no limite, tudo é SUPER (quando digo limite falo do fato de todos terem desempenhos fora do comum). Se me permitem a brincadeira, é verdadeiro local de trabalho de sobre humanos, pois trabalhar sempre no limite máximo é algo bem difícil para nós mortais. É como se tivéssemos “pessoas” correndo a velocidades de provas de 100m durante uma maratona. Para seres humanos comum é algo que dá para fazer nos primeiros 200m mas depois não dá… simplesmente não dá. A gente acaba “abrindo o bico”
Não seria nenhuma surpresa se numa empresa como esta surgissem pessoas tendo crises de estresse (com variações agudas como por exemplo sindrome do pânico), pessoas com saúde comprometida, um número razoável de pessoas acima do peso, pessoas fumantes, etc. Considerando que ainda não temos super -homens por aí, ao não ser nos filmes e novelas (ehehehehe), mais cedo ou mais tarde algo deve acontecer.
Alguns pensam que podem correr um maratona mantendo a velocidade de corredores de 100 m. Simplesmente não dá e acabam que não completam todo o percurso.
Existe um preceito budista, no qual eu acredito que é : ” O melhor caminho é o do meio” . Diz alguns historiadores que Buda ( na época o princípe Siddhartha Gautama ) em seu caminho para a iluminação começou tentando seguir pelo caminha dos homens santos hindus fazendo jejuns, e se submetendo a sofrimentos como forma de purificar. Foi quando num dia de meditação percebeu que o caminho não estava no limite e sim no meio termo. Não podemos deixar ir sem regra alguma mas também não podemos colocar todas as restrições. Devemos buscar o equilibrio para nos tornar sustentáveis na caminhada da iluminição.

Equilibrio
Antes que comecem a dizer que estou ficando maluco e escrevendo coisas sem nexo algum, vamos traçar a correlação dos preceito budistas e trabalho.
Me assusta um pouco o fato de que atualmente, muitos tentem vender o uso de metodologias ágeis como um forma de aumentar o rendimento da empresa. Isso, num primeiro momento pode soar até inocente, mas para um empresário, isso irá soar como aumentar lucro. A questão que quem está mostrando a idéia esquece de dizer que é verdade que melhora a qualidade e a velocidade do time de desenvolvimento (na maioria dos casos) mas isso não é para ser usado como motivo para aumentar a carga de trabalho da equipe e sim permitir um equilibrio maior. Tal equilibrio significa fazer menos horas extras, ter uma jornada de trabalho mais leve e que permita as pessoas irem para suas casa felizes e ainda com energia para conviver com suas famílias, ou então, realizarem outras atividades como esportes, estudos, etc. O mais engraçado disso que relendo o manifesto agil e alguns textos mais antigos sobre o assunto notei que, eles sempre carregam uma mensagem de foco no humano… na visão do profissional não como recurso e sim como individuo e trabalhador criativo que tem necessidades a serem atendidas.
Outra palavra chave que quero adicionar a nossa equação é : SUSTENTABILIDADE. Modelos que andam no limite não são sustentáveis… pois trabalhar sempre na modalidade de capacidade total significa maximizar também os desgastes. A natureza mostra que devemos sempre buscar uma velocidade de cruzeiro, ou seja, um rendimento tal que possamos andar bem mas sem tocarmos as fronteiras do recurso ou pessoa. Sustentabilidade também tem relação com pensar no futuro. Por isso, sempre querer inovar em tudo, pode acarretar em não ser sustentável no médio nem no longo prazo. Viver trabalhando com as últimas novidades ou com padrões, que ainda não estão totalmente difundidos no mercado, é buscar um vida dificil para o Rh. Pois as pessoas que lá estão hoje, por gostarem de novidades, logo mudaram o foco de seu interesse para outras coisas e aquele sistema ficará, lá, legado a ninguém pois, ainda não existem profissionais disponiveis no mercado com o tal conhecimento.
Por isso, volta a frase: ” O melhor é o caminho do meio”. Temos sim que tentar aumentar nosso tempo de resposta a projetos, ajudar as empresas a ganhar dinheiro, entretanto é importante também garantir a sustentabilidade do processo e das pessoas.
Muito bom!
Comentário by Leo on 23 de agosto de 2009 at 12:15
Concordo com seu texto.
Eu acho que a vida do profissional de TI hoje em dia ainda é muito injusta. Constantes novidades no mercado, alto grau de estudos e não tão valorizados como se devem.
Agile é muito relativo. As vezes uma equipe com 20 anos de experiencia em gerenciamento de projetos e no modelo cascata pode ser mais ágil do que uma equipe jovem com 2 anos de experiencia. O maior problema IMHO está no fato do correto entendimento da TI por parte de todos, quando se esquecem que os serviços devem ser orientados aos clientes e que o bem estar da equipe influencia em qualidade e agilidade de qualquer projeto.
Comentário by Gustavo on 25 de agosto de 2009 at 22:05
A questão é exatamente esta. Hoje qualidade de vida influi diretamente na qualidade do produto. Agora indo um pouco mais fundo, acredito que métodos ageis são legais mas não podemos continuar na mesma espiral: muito trabalho, muitas horas extras… Temos que procurar ser sustentaveis tanto na visão do projeto quanto da qualidade de vida e do sistema
Comentário by admin on 26 de agosto de 2009 at 7:02