Nem sempre um bom assunto garante uma boa apresentação

O ato de apresentar é algo que parece que veio para ficar. Em quase todos momentos de nossas vidas profissionais nos é solicitada algum tipo apresentação por mais diversos motivos.  A questão, após a leitura do livro de Garr Reynolds – “Apresentação Zen” , que a maioria delas são de uma qualidade no minímo, para não falar pior, de qualidade questionável.

O tempo todo em nossos trabalhos somos solicitados a reportar algum status,  objetivo, mensagem, etc. Algumas dessas vezes podem ser simples  conversas, respostas as e-mails, ou então montarmos uma apresentação para uma platéia (pequena, média, grande ,etc). Muitas as pessoas que, inclusive, vivem de fazer palestras, etc.  Tais palestras,  podem ser  um congresso acadêmico onde mostra o resultado de um estudo ou pesquisa, um trabalho de faculdade, mba ou mestrado, pode ser um fechamento de um ciclo de trabalho, apresentação de uma auditorio ou consultoria feita, venda de um serviço ou produto, enfim, várias coisas. Logo, pelos exemplos citadas antes, podemos dizer que a grande maioria de quem faz apresentações não são especialistas em comunicação, ou design ou qualquer coisa correlata.

A grande parte de nossos palestrantes são pessoas comuns( administradores, engenheiros, vendedores, etc – pessoas sem grandes conhecimentos de ferramentas ou conceitos de design e/ou comunicação) e por isso, muita delas são levadas a não ter um grande cuidado com a forma que eles estão expondo a informação desejada. Bem, sobre um ponto de vista, existe preocupação sim: quase todos estudam o assunto, procuram boas fontes ou apoio de bons números ou gráficos, etc… o que não se tem é uma atenção a importancia do como essa quantidade de coisas será dispostas e apresentada.

Essa questão da falta de capricho (sei que não é o melhor termo mas não me ocorreu nenhum outro) de certa forma só agravou com o advento das  ferramentas como o Power Point – podemos dizer também slideware. Devido a motivos que ainda desconheço, essas ferramentas, fornecem um tal de Template, ou seja, um desenho padrão onde o trabalho do indivíduo fica sendo apenas de preencher as lacunas. Isso, para a grande maioria leiga não é de todo mal…  a questão que esses templates são todos baseados numa estrutura analítica que acaba tornando a apresentação, para o espectador, um verdadeiro desafio para contornar o sono que vem.

Outro dia, na empresa onde trabalho, fizeram um dia (inteiro) de palestras onde várias pessoas apresentaram diversos ppt (apresentações power point) sobre os mais variados temas. Acredito que o objetivo da jornada era de ser uma forma de vermos os objetivos do grupo, status dos projetos, como estavámos em relação as metas que foram traçadas no começo do ano, etc.  Mas, confesso, que no final, o evento foi um exercício de “luta contra o sono”.

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Mas porque que não gostei das apresentações ? Os temas não me interessavam? Os assuntos tratados não tinha relação com meu dia a dia na empresa ? Por mais que tudo que havia sido dito, apesar de todos os temas serem de grande importância,  as palestras foram um verdadeira pé no saco pois ninguém se preocupou em momento algum com forma dos malditos slides. Alguns, inclusive, tiveram a cara de pau de ler os slides, ou seja, não agregam valor nenhum.  Os conteúdos, em sua grande maioria, eram cópias de trechos de planilhas do excel, numa fonte ilegível do meio da sala, com números e mais números que não nos diziam nada; gráficos com uma quantidade enorme de linhas ou elementos que os tornavam, num primeiro relance, difícil de analisá-los ou captar suas informações; slides tomados de textos e mais textos, todos arrumados lindamente (estou sendo ironico) em bullets; etc.

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Tudo isso poderia ter sido diferente, se tivessem tido o cuidado de, antes de qualquer coisa, conversado para definirem qual seria a mensagem a passar com o dia. Feito isso, como a mensagem mãe, na cabeça partir para selecionar os temas que deveriam ser abordados durante a jornado que ratificassem, ou que levassem a mensagem principal para os ouvintes.  De posse da mensagem e dos temas, partiria para definir o tom, a emoção desejada. Pode parecer loucura, num primeiro momento, mas faz sentido se analisarmos de mais perto.

Ao realizar um evento temos que nos preocupar, além dos temas, etc, com o conteúdo emocional. Conteúdo emocional seria algo como : é para mexer com o pessoal, é apenas para informar, é para motivar,  é para dar um esporro, e por ai vai.  Por mais que a mensagem seja a mesma, a escolha do tom modifica a dinamica dos fatos e o desenrolar de cada apresentação. Um aspecto que muda também é a forma da exposição oral:  vibrantes, concisa, sóbria, etc.

Tendo todos os elementos em mãos- tema, mensagem mãe e a tom emocional desejado – o próximo passo seria partir para a montagem dos slides. Sempre tendo em foco que ninguém consegue ler e ouvir ao mesmo tempo e ainda por cima reter boa parte da informação. ACho que uma boa dica é abusar das imagens e seus significados dentro do contexto. Gráfico… huumm.. desde que sejam pequenos e rápidos de serem entendidos…. Números …. poucos apenas para retradar algo que se fale… texto… evite-os ao máximo.

Esse conceito pode ser extrapolado para diversos outro tipos de materiais : post em blogs, relatórios,  monografias, e-mails, manuais, etc.  Claro que cada caso terá sua particularidade, por exemplo, não podemos querer escrever um relatório sem usar muitas palavras, mas podemos ter cuidado com os gráficos, com excesso de números, tabelas, etc.

Bom, boa parte dessas idéias não são minhas. Elas são conclusões que venho tirando de diversos materiais e livros que venho lendo como forma de melhorar a forma que divulgo conteúdo, apresentações e etc. Um em particular tem sido minha biblia : Apresentação Zen – Garr Reynolds ( citei lá cima já, mas é para reforçar)

2 Responses to “Nem sempre um bom assunto garante uma boa apresentação”

  1. Excelente post André, realmente já vi algumas apresentações de temas interessantes aonde a ilustração das idéias acabava matando o conteúdo.
    Tivemos a poucos dias na globo.com o GloboTechDay – http://img196.yfrog.com/i/sk6k.jpg/ aonde as pessoas que foram a eventos no primeiro semestre repassavam o conteúdo aos outros desenvolvedores. O evento foi muito bom inclusive a qualidade das apresentações. Acho que quanto mais as pessoas participam de eventos com bons conteúdos, melhor eles absorvem e passam a diante.

    Fica uma dica: já que você identificou uma forma de melhorar as apresentações dos seus colegas de trabalho, que tal fazer uma apresentação desse seu conteúdo para esse grupo que te fez dormir?

  2. admin disse:

    Evandro, um elogia vindo de você é algo realmente dignificante. obrigado.

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