Uma coisa que sempre considero interessante é forma que o ambiente de trabalho influi na qualidade do que ali é feito. No manifesto ágil, dentro da listagem dos princípios, existe um que diz: “Build projects around motivated individuals. Give them the environment and support they need,and trust them to get the job done.(Construir projetos em torno de pessoas motivadas. Dê a eles o ambiente e suporte que necessitam, e confie que eles farão o trabalho)”. Logo, para que um projeto tenha sucesso, no sentido de ROI (Retorno de investimento – qualidade e prazo), a empresa deve propiciar um ambiente ótimo para sua equipe.
Em minhas muitas andanças, vi de tudo um pouco: ambientes que são verdadeiros sonhos de consumo, outras que são a visão do próprio inferno. Já presenciei cenas onde os profissionais se amontoavam em torno de mesas de não mais que 1 metro quadrado, em locais que não permitiam uma boa comunicação entre os membros, iluminação péssima, pessoas que não se entendem, etc. Muitos gerentes, donos de empresa, e tantos outros, podem pensar que, uma vez que somos trabalhadores do pensar, o fato de ter um meio bom não é algo importante, mas, em minha opinião, é justo contrário.
Um espaço bem pensado (em todos aspectos: espaço individual, equipamentos, iluminação, etc) afeta de forma significativa às pessoas que nele convivem. Tal fato pode ser comprovado por várias teorias de arquitetura, psicologia, cromoterapia, etc, e não vou me estender nesses pontos.
A questão que desejo abordar é de ordem prática e próxima aos assuntos de relacionamento e chefias. Não existe como trabalhar e gerar entregas com qualidade num local onde não existe valores como respeito, sentimento de equipe, abertura para diálogos, infrastrutura decente, liberdade de escolha por parte do time, excesso de “politicagem”, etc. O time não precisa estar alheio ao que acontece ao seu redor mas seria, no minímo interessante, que eles pudessem trabalhar se grandes interrupções para tratarem assuntos que não passam de caprichos de alguém.
Imaginemos uma empresa fictícia que seria um bom exemplo de o quanto um ambiente ruim gera resultados ruins. Neste caso, existe burocracia demais e tudo é “engessado”. O espaço para inovação é quase nulo(para não dizer inexistente). A cultura de individualismo é muito forte , onde o sentimento de competição está sempre presente… é um cada por si, ninguém ajuda o outro, mesmo se não tiver nada para fazer. Auto-gerenciamento é palavra proibida e apagada dos dicionários: se o chefe não mandar, nada é feito. O minimo de recursos para realizar um projeto é algo que só vem em última estancia (por várias vezes fiz servidor para sistemas em produção a partir de micros normais até um dia que deu uma pane bizarra e eles compraram mais memória !!!!). Reuniões são intermináveis e sempre não chegamos a conclusão nenhuma.
Todos, nessa nossa empresa fictícia, vivem idéias de 20 anos atrás que o mercado cansou de provar que são falhas (pilhas de documentos, pilhas de formulários, burocracia para tudo, etc). A qualidade não é medida pela satisfação do cliente e sim pela quantidade de documentos e formulários preenchidos, padrões adotadas, horas de “gestão” gastas. O custo de mudança é imenso pois o tempo gasto com papel é quase 50% do tempo total de projeto. PMI é biblia e quem faz MBA é papa.
Muitos podem se perguntar: “Trabalhar numa empresa assim pode ser horrível?”. Primeiro, acredito que “não há mérito em ser bom dentro da igreja”: devemos tentar mudar as coisas, aportar novas idéias, não impô-las, fazer a transformação pelo trabalho de formiguinha. Ser ágil dentro uma empresa que já é ágil é mole.
Concluindo, gostaria de deixar a mensagem de que antes de pensar em burocracias, métodos, formulários, reuniões, é preciso avaliar a equipe, o ambiente, até as mesas e ver se elas estão adequadas a qualidade desejada. Além disso, é preciso mudar a cultura das pessoas, ao invés de impor, convencê-las de que a mudança é boa e que vai trazer benefícios. E claro, quem manda é quem faz !!! Chefe é facilitador e não capataz… Deve ser sensível ao que acontece e blindar a equipe. Claro que não podemos responsabiliza-lo por tudo… A empresa é sempre a maior vilã.
Se você trabalhar numa empresa parecida com a nossa fictícia, e já tentou de tudo para mudar, pode ser que chegou a hora de buscar novos desafios.
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Pessoal alterei o texto para que fica mais leve e mais genérico e com menos cara de desabafo. Desculpem, mas infelizmente existem questões que um texto muito forte podem gerar.